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Jundiahy pede mais atenção ao seu Patrimônio Ambiental

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6 de agosto de 2018
José Arnaldo de Oliveira mostra que no "Mês do Patrimônio" o rio Guapeva dá sinal de alerta

José Arnaldo de Oliveira

Apesar de grandes ameaças à sua riqueza histórica e ambiental, a cidade de Jundiaí promove agora em agosto o seu “Mês do Patrimônio”, sob a novidade de celebrar (de novo) os seus 362 anos da sua criação oficial como uma das 50 primeiras vilas brasileiras do século XVII - depois de confirmado um documento em Portugal corrigindo a data original de 1655 para 1656. Por outro lado, também por uma triste fase entre maio e julho de acidentes e vandalismos que que destruíram algumas casas da vila operária da Argos, um pedaço lateral do Viaduto São João Batista e a Estação Central da Companhia Paulista.

Em uma reação oficial, a Prefeitura de Jundiaí reuniu eventos políticos, técnicos e populares em um calendário unificado, que deve contar também com iniciativas paralelas. De minha parte, um alerta sobre riscos ao “milagre da vida” do rio Guapeva.

A cidade que quase “explodiu” - Antes cabe notar, nesse cenário, que em pouco mais de 50 anos a cidade de Jundiaí cresceu em população, com muitos migrantes, cinco vezes mais (328,5%) que a média brasileira. Se considerada a área pré-1968 (que incluía os então distritos de Várzea Paulista, Itupeva e Campo Limpo), o crescimento foi dez vezes maior que a média (694,5%).

Mas sempre teve mobilizações de parte da comunidade para salvar alguns patrimônios. Em 2018 podemos lembrar os 50 anos da mobilização contra o risco de demolição do Solar do Barão (1968), os 40 anos do 1º Passeio Ecológico à Serra do Japi contra os loteamentos (1978), os aproximadamente 30 anos de campanhas contra a demolição da Ponte Torta (anos 80), contra o fechamento da Faculdade de Medicina (anos 80) e pela restauração do Teatro Polytheama (anos 80), os aproximadamente 20 anos da mobilização de ferroviários contra a privatização das oficinas da Companhia Paulista (anos 90) e até os dez anos contra o fechamento do Córrego do Mato (2008), entre outras. Felizmente, muitas conseguiram apoio político.

Agenda - A programação oficial começou no sábado (4) com uma mesa redonda com os urbanistas locais Araken Martinho e Antonio Fernandes Panizza sobre essas mudanças de Jundiaí. E agora haverá uma reunião sobre patrimônio cultural imaterial do Conselho Municipal de Patrimônio nesta terça-feira (7), às 19h no Complexo Fepasa.

Segue com uma conferência municipal de Cultura (nos dias 10 e 11, sexta e sábado, também no Complexo Fepasa) e mais uma edição especial do evento Domingo no Parque (no dia 12, domingo, das 9h às 17h no Parque da Uva).

Depois é a vez de uma séria reunião sobre zonas especiais de interesse histórico de câmara técnica do Plano Diretor (no dia 14, terça, às 19h no Complexo Fepasa).

Tem uma palestra sobre o direito ao passado com Maria Ângela Borges Salvadori (no dia 16, quinta, às 19h no Complexo Fepasa) e uma edição especial do Sexta no Centro (no dia 17, sexta, às 18h na Praça do Coreto). Em seguida, um simpósio universitário do patrimônio (nos dias 23 e 24, sexta e sábado, no Complexo Fepasa) e a segunda edição do passeio ciclístico pelo centro histórico lançado no ano passado (no dia 25, domingo, às 10h).

Em paralelo, o Sesc Jundiaí mantém até o dia 26 de agosto a exposição multimídia em cartaz chamada Rios Des.cobertos, que destaca a interação da cidade com seus rios, inclusive com aqueles que foram enterrados ou que tiveram suas várzeas aterradas ao longo do tempo.

Rio histórico e vivo - Um rio também é patrimônio? O portal Jundiahy, criado por mim e que desde 2009 defende o uso da grafia original do nome da cidade que ajudou a localizar em Portugal a ata de 1656 e o uso de nomes originais de ruas e largos no centro histórico referenciado entre os rios Jundiaí, Guapeva e do Mato, me levou a alertar sobre cuidados também ambientais.

No dia 25 de julho de 2018, às 10h49, deparei-me com uma lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta), uma garça-branca (Ardea alba) e o que identifiquei como sendo patos-brasileiros (Cairina moschata) olhando para uma retroescavadeira dentro do rio em obra de muro de pedras contra erosão na canalização de trecho do rio Guapeva, perto da Argos.

Nada contra os cuidados com a drenagem dos rios na cidade ou com a proteção de vilas históricas em sua margem. Mas nossos próprios avanços criam novos desafios. Ao evitarmos que aquele trecho do rio Guapeva fosse destruído por avenidas e também ficasse menos poluído com os coletores de esgotos, criamos um pequeno “milagre da vida” que torna mais complexa uma obra.

Sei que engenheiro de drenagem não está acostumado muito a trabalho conjunto com biólogo, ecólogo ou ambientalista. É o mesmo que entre engenheiro de mobilidade com pedestre ou ciclista. Mas são novas necessidades.

Além das aves citadas, tive há três anos o apoio de um conhecido especializado em aves, o Renan, identificando em menos de uma hora a presença ali também do joão-de-barro (Furnarius rufus), do bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), do suiriri (Tyrannus melancholicus), da corruíra (Troglodytes musculus), da saracura-do-mato (Aramides saracura), do beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura), da pomba-de-bando (Zenaida auriculata), do pombo-doméstico (Columba livia), do pardal (Passer domesticus), do periquitão-maracanã (Sittacara leucophthalmus), do ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum), do periquito-rico (Brotogeris tirica), da rolinha-roxa (Columbina talpacoti), da andorinha-pequena-de-casa (Pygochelidon cyanoleuca), do sanhaçu-cinzento (Tangara sayaca) e do tuim (Forpus xanthopterygius), E podemos acrescentar o quero-quero (Vanelus chilenses) e outros.

Outro conhecido, o biólogo Daniel, diz já ter reconhecido ali um sapinho de espécie com que trabalhou na Serra do Japi (de onde desce parte das água do Guapeva). E a professora Ignez de Castro (Dadí) que costuma caminhar na área, cita ainda mamíferos como o caengambá (Mephitis mephitis). “Esses paredões são letais, vão alterar as condições de vida de muitos deles, que não chegam a pisar na água e não contam mais com as margens”, observa.

Muita gente ainda ignora esse milagre da vida natural, porque é preciso estar a pé ou de bicicleta para notar. No mesmo dia, encontrei uma universitária que trabalha ali perto e que pensava que o rio era apenas poluição... Mas muitos notam e se preocupam. Um trecho maior do Guapeva foi alvo de proposta original do Parque Linear, em concurso Cidadonos (um evento realizado pelo Voto Consciente) lá por 2012.

Se possível, vamos dedicar algum tempo a pensar como avançar nos cuidados com nosso patrimônio ambiental, histórico e cultural. Afinal, se conseguimos salvar uma parte da cidade da “explosão” desses 50 anos podemos continuar melhorando. Seja na comunidade onde vive a maior parte ou mesmo quem esteja no governo ou até na oposição. Viva Jundiahy.

Veja mais fotos de Edu Cerioni do estreitamento do leito do Guapeva na Vila Argos Velha:



 
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