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Mentalidades de granito

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5 de maio de 2019
Por José Renato Nalini

Ao escrever “A Rebelião da Toga”, a minha proposta singela para aprimorar o sistema Justiça, afirmei que a mais difícil das revoluções é a revolução da consciência. Muitos problemas da Humanidade têm solução viável, desde que as pessoas se tornem menos fanáticas, abandonem o fundamentalismo e consigam dialogar com respeito. A começar por “saber ouvir”, o que é algo muito difícil. Todos só querem falar. Inebriam-se com o som – às vezes estridente – da própria voz.

Tenho me preocupado bastante com a 4ª Revolução Industrial. Ela sugere um novo mundo, com surpresas e o inesperado à espreita. Mas ela é um convite a que nos reciclemos. Não será suficiente apreciar a velocidade das mudanças, nem adotar as tecnologias emergentes. Será preciso muito mais: ação e liderança de todos. Organizações, Universidade, empresas, setores e indivíduos. A liderança deverá ser coordenada, colaborativa e sistêmica.

Governo e empresariado terão de se adaptar às mutações profundas que já se encontram em curso. Mas os indivíduos é que precisam acordar. Estudar, pesquisar, compreender, dialogar e aproveitar todas as oportunidades para conhecer e experimentar as novas tecnologias.

Como diz Klaus Schwab, fundador e Presidente Executivo do Fórum Econômico Mundial, a quem ouvi e com que troquei poucas palavras em casa de Milu Vilela, “estar vivo em um momento de grande mudança tecnológica traz em si a responsabilidade da ação”. Não será tolerada a omissão. Quem se omitir estará à margem da vida.

Os indivíduos podem e devem fazer muita coisa. Dentre as estratégias sugeridas pelo autor de “Aplicando a Quarta Revolução Industrial”, a primeira é explore, experimente e vislumbre. É urgente familiarizar-se com as novas tecnologias. Os jovens – e até as crianças – demonstram grande habilidade nisso. O que está havendo por trás da interface e aspectos de entrega de serviços das tecnologias digitais? Como é que posso me aproveitar de tudo isso para facilitar tarefas, para simplificar atividades, para reduzir etapas e poupar tempo?

Explorar e experimentar tudo o que o mundo novo nos oferece é elucubrar sobre qual o tipo de amanhã que queremos criar? Quem mais se valerá disso é a criança e o jovem. Por isso eles precisam ser constantemente ouvidos. Eles não só serão os mais impactados, mas também serão os que melhor se servirão das novidades para tornar sua vida mais prazerosa e feliz.

A segunda estratégia, embora pareça estranha, é ser político. Não no sentido da desgastada política partidária que acabou com a nossa Administração Pública. Mas naquele sentido aristotélico de que o ser humano é um animal político. Alguém que convive, que quer conviver e que pretende tornar esse convívio algo mais saudável do que a guerra de todos contra todos.

O indivíduo que desenvolve sua própria visão aspiracional do futuro saberá encontrar respostas que as atuais gerações talvez não enxerguem ou não tenham condições de elaborar. É a juventude que deverá formatar os usos mais desejáveis das tecnologias de hoje e do amanhã, para obviar o aspecto nefasto que elas poderão causar num convívio egoístico e já desgastado. A Humanidade precisa se conscientizar de que ela talvez nunca tenha estado sob tamanho risco de extinção, a continuar a inclemente e insensata exploração de recursos naturais finitos.

A verdade é que a ciência e a tecnologia não têm limites. Mas estes limites têm de ser fixados pela sensatez humana. Por integrantes de uma espécie que se considera a única racional dentre todas as criaturas vivas e que não pode estar inconsciente das consequências da relação mutuamente transformadora entre a sociedade e as tecnologias que ela produz.

Não estamos falando de ferramentas, mas de instrumentos complexos, utilizáveis para o bem, mas também para o mal. Uma consciência renovada pela ética, valor em fuga do solo brasileiro há algumas décadas, é algo milagroso para um enfrentamento que não pode sacrificar a civilização.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, conferencista e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT.Thomson Reuters.
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