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O custo da morte

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22 de novembro de 2018
Por José Renato Nalini

Uma vida é um valor incalculável. Indague-se a um pai, a uma mãe, qual a indenização adequada pela morte de um filho. Mas para o Brasil, a morte de um jovem tem um custo quantificado. Cada jovem morto faz o país perder R$ 550 mil. Em 20 anos, o prejuízo acumulado foi superior a R$ 450 bilhões. Essa a conclusão de um estudo realizado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da União Federal.

O cálculo leva em consideração a perda da força produtiva, ou seja, quanto o Brasil deixa de ganhar com os frutos que o trabalho de cada vítima renderia. Também mensurou os gastos do setor público e privado em seis áreas: segurança, seguros e danos materiais, custos judiciais, perda da capacidade produtiva, encarceramento e serviços médicos e terapêuticos.

Só no ano de 2015, a criminalidade custou 4,38% do PIB brasileiro, a quantia nada desprezível de R$ 285 bilhões. Não se deixou de investir em segurança pública. De 1996 a 2015, os recursos cresceram 162%. Mas a criminalidade caminhou na mesma proporção. Isso significa que a organização criminosa é muito mais eficiente do que o Estado.

Numa entrevista na Globo News, o secretário de Assuntos Estratégicos Hussein Kalout demonstrou conhecer a área e não teve tempo de explicar a Monica Valdvogel que a questão não é ampliar ainda mais o número de vagas no sistema prisional.

Pouca gente consegue entender que prendemos muito e prendemos mal. Somos já o terceiro país do mundo em número de prisões, só depois dos Estados Unidos e da China. Ultrapassamos a Índia, cuja população é muito maior do que a nossa.

A prisão é a pior das opções como punição para a criminalidade. Mas é parece a única para o Brasil. Para a faixa de corruptos e fraudadores que saqueia o Brasil, o maior castigo é reaver o dinheiro do povo. Fazê-los devolver as cifras astronômicas utilizadas para enriquecimento próprio. Prisão é “refresco”, como o povo diz. Mordomias, viagens de avião, esquema de segurança milionário. Mais sangria para o povo.

O pequeno usuário de droga não pode ir para a prisão. Ali, onde o Estado é o repressor, as facções são a salvação. Ele é recrutado para a profissão de delinquente. Nunca mais deixará esse ambiente.

Vamos copiar o que há de bom nos outros países. Punir sim, mas de forma pedagógica e sem onerar a população que é a maior vítima do criminoso, mas também de um Estado apalermado e que não sabe oferecer segurança, embora seja muito competente para gastar dinheiro do povo.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, escritor e jornalista, conferencista e palestrante
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