Jundiaqui
Jundiaqui

O efeito de uma passeata

Jundiaqui
12 de setembro de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

Em 31 de julho de 1978, cerca de 3 mil jovens jundiaienses saíram da praça da Bandeira e seguiram até o Pico do Mirante no 1º Passeio Ecológico à Serra do Japi. Era um protesto pela proteção da natureza, marcado inclusive por música da banda A Kripta, com gerador emprestado pelos bombeiros.

Os loteamentos já ameaçavam lugares como a Serra da Ermida, mesmo com as restrições a partir da cota de altitude de 900 metros colocada no primeiro Plano Diretor, de 1969, insuficientes até para as recomendações deixadas por Vasco Venchiarutti em artigo de 1960 no jornal "O Jundiaiense".

No ano seguinte ao passeio de 1978, já com grupos ecológicos voluntários como o Viver e depois o Japi e outros atuando na cidade, o então prefeito Pedro Fávaro enviou no dia 5 de maio de 1979 um ofício ao governador Paulo Salim Maluf em seu “governo itinerante” com protocolo 04051.
Nele, dizia que a Serra do Japi era uma “das últimas áreas florestadas do estado, o que torna sua preservação meta constante de todos os que se preocupam com o meio ambiente e seus reflexos na qualidade de vida do povo”.

“Jundiaí tem procurado, por todos os meios ao seu alcance, evitar qualquer dano ecológico à Serra do Japi, combatendo a ação predatória e defendendo-a das INVESTIDAS DOS ESPECULADORES E DE TODOS QUE COLOCAM O SEU INTERESSE PESSOAL ACIMA DO INTERESSE PÚBLICO. E O INTERESSE PÚBLICO AQUI DEVE SER COMPREENDIDO NÃO SÓ O INTERESSE DE JUNDIAÍ E REGIÃO VIZINHA, MAS DE TODO O ESTADO DE SÃO PAULO” (grifo nosso).

“É, pois, nosso apelo para que, unindo os seus esforços aos nossos, na defesa da qualidade de vida dos paulistas, venha o Governo do Estado, através de medidas próprias, RECONHECER A SERRA DO JAPI COMO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E GARANTIR, DE FORMA CONCRETA, SE MANTENHA INTOCÁVEL TÃO VALIOSO PATRIMÔNIO ECOLÓGICO”.

Vale dizer que o governo Maluf, que era aliado do governo militar, não acatou a sugestão de imediato. Em 1981, em Jundiaí, a cota de altitude foi reduzida para 800 metros, mas continuava insuficiente. Mas veio 1982 e a frente democrática de oposição elegeu Franco Montoro (casado com uma jundiaiense) para o lugar de Maluf como governador. E se a estrutura ambiental ainda estava engessada – vale lembrar que em 1978-1979 o Brasil ainda se posicionava a favor da poluição na Conferência de Meio Ambiente de Estocolmo – um cientista brilhante chamado Aziz Ab'Saber foi nomeado para o Conselho Estadual do Patrimônio (Condephaat) e garantiu o avanço da luta ambiental de Jundiaí usando uma ferramenta cultural ao “tombar” parte da Serra do Japi como monumento natural.

Esses momentos – e tudo o que veio depois, de avanços (e até alguns retrocessos) – está ligado com uma passeata que há 40 anos reuniu jovens, estudantes, cientistas e políticos atentos em torno de um ideal. E mostra a força que pode ter, mesmo em tempos estranhos, a união das pessoas com as energias da natureza.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista e sociólogo

 
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Coopercica te leva pra dentro da fábrica de chocolate

Promoção vai sortear cooperados para que conheçam como é feito o D’viez

Chupa que é de Uva apresenta sua Corte do Carnaval 2018

Roberta Spexoto é a rainha do bloco, que festejou ao som do Sombra e de bateria

As ideias de Tite

Por Marcel Capretz

Vila Rio Branco x Ponte São João: qual bairro é mais antigo?

Por José Arnaldo de Oliveira, do blog Jundiahy
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.