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O meu “Bom Dia”

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5 de maio de 2019
Por Wagner Ligabó

Desde os tempos de primário tomei gosto pela leitura e pelo hábito de escrever.


Tive como fator motivacional grandes mestres de Língua Portuguesa no meu honorável Instituto de Educação Caetano de Campos, lá na Praça da República no centro velho da capital, onde estudei do pré-primário até o científico.


Escrevi muito, desde simples dedicatórias, diários, longas cartas de amor, memorandos, discursos de formatura, até longos textos versando sobre tudo, inclusive um livro de ficção que estou pra terminar há anos e sempre falta tempo. 


Sentar e escrever sempre a mim sempre foi um hobby impulsivo. Me apaixona reler e corrigir, ou acrescentar pontuações e novas palavras no que já se redigiu. Separar sentenças, colocar parágrafos. Mínimos detalhes. Um vicio aprazível!


Todos os scripts de shows da minha querida banda médica, o NEP - Não Estamos de Plantão, com seus diálogos pontuados com irritante perfeição foram motivos de deliciosas madrugadas acordado.


Foi por estas obras do destino que em março de 2006, devido a triste perda do grande Erazê Martinho, fui convidado, pelo editor-chefe a época, o amigo/paciente Mário Evangelista, a ocupar a vaga em aberto de cronista semanal das quartas-feiras no vibrante jornal "Bom Dia", mídia impressa que havia sido recém-lançada em Jundiaí. E vinha para marcar época.


Era um excelente vespertino que hoje, registre-se, faz muita falta, pois não era atrelado a benesses da política ou outros interesses questionáveis, e ali se escrevia o que bem entendesse que a editoria não dava pitaco.  Interferia só se o texto estivesse longo, além da diagramação padrão permitida, e eu atravessava o samba sempre, com muitas broncas dos inconformados editores Edu e Pescarini.


Ali tive o privilégio de conhecê-los, plêiade de jornalistas exemplares, que tornaram-se amigos queridos, profissionais que já não se vê com tanta facilidade por aí. 


O que falar, por exemplo, de Edu Cerioni, Fábio Pescarini, José Arnaldo Oliveira, Aline Pagnan? E o que dizer da memória viva de Jundiaí, o meu saudoso, querido e insubstituível Picôco Bárbaro, o melhor âncora de coluna social que Jundiaí já teve, pela sua cultura e conhecimento, e que tanta falta nos faz?


Nas páginas do "Bom Dia" se colocava o dedo na ferida com isenção, doesse a quem doesse! A notícia era notícia. Editorias e artigos idem. Respirávamos o ar de liberdade democrática de imprensa, hoje tão questionada.


Meus artigos semanais iam na última página e tive a honra de dividir a semana por muito tempo com nomes literatos como Luís Fernando Veríssimo, Drauzio Varella, Zuenir Ventura e Arnaldo Jabor. 


Foram aprazíveis 9 anos de escrita, mais de 450 artigos  falando de tudo. O sonho infelizmente acabou e o último publicado, em 13 de agosto de 2015, tinha o título de “Historietas do Nata”, descrevendo os hilários causos do meu querido Natanael Longo, exemplar multiprofissional de mídia e artes, grande amigo.


O jornal "Bom Dia" terminou contra a vontade de todos que lá trabalhavam com dedicação extrema e elogiável profissionalismo. Terminou sim pela conduta questionável de seu proprietário, o empresário J. Ávila já falecido metido em inúmeros processos. Uma pena enorme o fim do "Bom Dia".


Ando redigindo algumas crônicas e tem quem me peça a edição de um livro. Resolvi pensar com seriedade no assunto e, aqui na calma de Porto Ferreira, onde passo alguns dias com minha mãe, estou a escolher e revisar as melhores crônicas para serem utilizadas. 


O nome do livro? Será "BOM DIA!", o agradecimento obrigatório a cada novo dia que a vida nos proporciona e ao querido jornal, suas lembranças e suas pessoas,  que tanta satisfação me proporcionou. 


Dizem que na vida temos que cumprir três missões: ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Só me faltava esta missão!


Digo então: “Alea jacta est”.


Wagner Ligabó é médico cardiologista e vereador

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