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Onde estão os Bandeirantes?

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27 de julho de 2019
Por José Renato Nalini

São Paulo foi o artífice da unificação nacional. Foram os bandeirantes que ousaram adentrar Brasil afora e ignorar o Tratado de Tordesilhas, garantindo a imensidão do território que se conservou íntegro, sob o mesmo idioma e idêntica fé.

Nunca é demais reconhecer o valor da mulher paulista, que ficou no planalto a cuidar das crias e da lavoura, enquanto os varões exploravam o sertão. O matriarcado de Piratininga é responsável pela preservação das tradições desta gente do trabalho contínuo e perseverante.

Onde foi parar a coragem, a audácia e o brio da gente paulista?

Vê-se hoje uma São Paulo tão machucada. Os três grandes rios mortos, a transportar esgoto doméstico, resíduo químico de indústrias desprovidas de responsabilidade social (o Tietê na foto acima na altura de Pirapora do Bom Jesus). Centenas de cursos d’água sepultados, para ceder espaço ao veículo mais egoísta e poluente que se poderia conceber. Uma civilização do automóvel, alimentado por combustível fóssil, que mata nos acidentes, nos atropelamentos e mata homeopaticamente ao emitir gases tóxicos.

Conurbação insensata, sem planejamento, com a invasão de áreas ambientais que nunca poderiam ter sido ocupadas. Milhões vivendo sem saneamento básico, milhões sem ocupação garantidora de sustento, milhares ocupando ruas, espaços destinados à circulação de todos e mostrando a face cruel da exclusão.

Precisaríamos ressuscitar a audácia paulista para o enfrentamento de questões que só são insolúveis para os inertes, os acomodados e os incompetentes. Como recuperar as grandes represas: a Guarapiranga e a Billings, que dessedentam São Paulo, não podem continuar a ser o refúgio da imundície. Quanto se gasta para tornar menos impura a água que consumimos?

Nova Zelândia tem um exemplo de recuperação de represas que é considerado “case” mundial. Dividir o entorno das represas, entregar a grandes empresas ou conglomerados empresariais da construção civil uma parcela para a restauração do ambiente, destinação da população que invadiu, exploração de atividades turísticas e de lazer que trarão mais qualidade de vida a todos os humanos. E que poderão ser lucrativas, se entregues a empreendedores não contaminados pela doença da gestão pública, sempre mais dispendiosa, menos eficiente e envolta pela presunção de uso de meios ilícitos.

O enfrentamento da questão dos moradores de rua é outra mácula que evidencia o declínio da civilização e o grande retrocesso registrado nesta São Paulo que, apesar de tudo, continua a ser o móvel que sustenta um Brasil atrasado, defasado e envolto na penumbra do medievo.

Haverá esperança para este Estado que nasceu em torno a uma escola e que deixou a educação naufragar, diante de ausência de visão, de interesse efetivo e de carinho, ingredientes muito mais necessários e urgentes do que a massa de recursos financeiros mal aplicada?

São Paulo precisa ressuscitar o espírito bandeirante para voltar a ser o exemplo de um ambiente propício ao efetivo desenvolvimento, que não é apenas material, mas que precisa se refletir na edificação de uma sociedade em que a cooperação, a solidariedade e a fraternidade mostrem ser viável um convívio civilizado, algo que hoje é utopia ou miragem.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed, RT-Thomson Reuters
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