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Orfandade não tem idade

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6 de outubro de 2019
Por José Renato Nalini

Coisa mágica e sagrada é a Mãe. A criatura que ama incondicionalmente o filho. Está sempre ao lado dele. Mesmo quando ele está errado. Ou, principalmente quando ele está errado.

O único amor gratuito. Sem cobrança. Sem esperar nada em troca. Testemunho eloquente de que amor existe.

Quanta falta faz a mãe para o órfão. Descobri, com quase sessenta anos, que orfandade não tem idade. Desde então, agora com setenta e três, não há dia em que não “converse” com minha mãe. Tente adivinhar o que ela me diria diante de tantas situações enfrentadas. Perante as quais me sinto desamparado. Órfão. Sem mãe.

A cada mensagem dirigida a quem perde mãe, costumo repetir: “quem tem mãe tem tudo; quem não tem mãe, não tem nada”. E não é mera retórica. É a verdade que eu experimento.

Como tinha razão Junqueira Freire quando escreveu “Minha mãe era mui bela; eu me lembro tanto dela. De tudo o que era seu! Tenho em meu peito guardadas. Suas palavras sagradas. C’os risos que ela me deu”.

O patrono de minha Cadeira 40 na Academia Paulista de Letras, ocupada de 1909 – ano da fundação da APL – até 1962, quando faleceu, por um conterrâneo, o jundiaiense Professor José Feliciano de Oliveira, é o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva. Dentre tantos outros talentos, ele era poeta. Escreveu “Saudade”: “Eu já tive em belos tempos. Alguns sonhos de criança. Já pendurei nas estrelas. A minha verde esperança. Já recolhi pelo mundo. Muita suave lembrança. II – Sabia tantas histórias. Que não me lembra nenhuma. Os meus prantos apagaram, Todas, todas, uma a uma!. III – Ambições que eu já tive, que é delas? Minhas glórias, meu Deus, onde estão? A ventura – onde vive na Terra? Minhas rosas – que fazem no chão?”.

O destino dos humanos é ver rosas no chão. Despedaçadas por tantos desenganos. Pela mais cruel das fissuras de caráter: a ingratidão.

Além de perder a mãe biológica, o humano é tão calhorda que também destrói a mãe-natureza. Esta, como verdadeira mãe, é como o sândalo, que perfuma o machado que o fere. Diante da crueldade do homem, “a natureza revida, com amor seus agressores. E lhes dá, por despedida, o caixão, a cova e as flores!”.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, Universidade Corporativa dos Registros de Imóveis e Presidente da Academia Paulista de Letras-2019-2020
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