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Para games não há idade

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21 de setembro de 2018
Por José Renato Nalini

Idosos aprendendo programação para inventar jogos digitais. Não é ficção, mas saudável realidade. Para mostrar que a 4ª Revolução Industrial não é coisa apenas para os jovens antenados, mas atinge a todos quantos tenham vontade de participar dessa realidade virtual que afetou o cotidiano de milhões de pessoas.

As escolas de games perceberam esse filão e já se articularam para oferecer cursos para maiores de sessenta anos. A idade-padrão para caracterizar a velhice no Brasil. Fabio Ota, CEO da International School of Game – ISGame, uma escola especializada em cursos de programação, vê com entusiasmo a possibilidade de empolgar idosos nesse mister lúdico e promissor. Não acredita em apostilas. Por isso acredita que os mais velhos vão ter de pensar mais, ativar a memória e a concentração.

A sua experiência é no sentido de que os idosos têm dificuldade no primeiro mês. É preciso insistir para que não desistam do curso. Aqueles que ainda não têm familiaridade com a tecnologia participam de classes de inclusão digital, para aprender o básico, assim como usar o mouse e acessar a internet.

Desenvolvem games mais simples nos primeiros meses, em duas dimensões. No segundo módulo, preparam jogos para crianças. Em seguida, entra a parte de criatividade, com desenho de personagens e elaboração de jogo mais sofisticado.

Ota não apenas ofereceu as aulas, como pesquisou os efeitos da criação de games para a saúde dos idosos. Avaliou, durante cinco meses, pessoas com mais de 65 anos que participavam das aulas em um projeto apoiado pela FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, hoje sob o comando do notável cientista Professor José Goldemberg. Apurou-se que a programação de games ajuda a prevenir o declínio cognitivo. Os sentidos ficam mais aguçados. É uma terapia fazer jogos.

Outro benefício dessa iniciativa de propiciar a programação de games para idosos é o retorno do convívio entre avôs e netos. Os avós que acompanham os netos e que sabem jogar com eles, não se sentem excluídos. E a exclusão do velho é um dos relatos mais dolorosos de quem se sente só, embora tendo família. A triste solidão da falta de diálogo.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista
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