Jundiaqui
Jundiaqui

Plástico gera polêmica na Câmara de Jundiaí

Jundiaqui
8 de novembro de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

Uma simples campanha educativa sobre os riscos do plástico para a saúde humana e o meio ambiente, em tramitação na Câmara de Vereadores da cidade de Jundiaí, teve votação adiada de 30 de outubro para 13 de novembro após mobilização da poderosa Abiplast (associação das indústrias dos transformados plásticos), que acumula também a presidência da FIESP.

Convidado pelo gabinete do vereador Romildo Antonio da Silva (PR) a comentar a proposta da campanha educativa “Jundiaí Livre de Plásticos” do projeto de lei 12.689, que teve parecer favorável da Comissão de Justiça e Redação e da Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente, eu ia chamar a atenção para a coincidência com o estudo internacional de gastroenterologia liderado por Philipp Schwabl, da Universidade da Áustria, e divulgado com alarde na UEG Week para 110 países.

Trata-se da confirmação, pela primeira vez, da presença de microplásticos nas fezes de pessoas da Itália, da Rússia, do Japão e outras partes do mundo. Esse alerta reforça decisões como do Parlamento Europeu, que acaba de orientar o início da proibição de plásticos descartáveis pelos países-membros.

Não é coisa de radicais nem de oposição, mas de saúde pública.

Por outro lado, a Abiplast tem como obrigação se preocupar com a economia desse setor industrial, que tem mais de 12 mil empresas. Seu argumento defensivo até exagera para o outro lado. “Plástico é hidrogênio e carbono. O stent (tubo usado em procedimentos médicos), a prótese, tudo é feito de plástico, isso não faz mal nenhum ao ser humano”, afirmou seu presidente, José Ricardo Roriz Coelho, em entrevista na "Folha de São Paulo", em 19 de julho deste ano.

Não é o que parece nas imagens que correm o mundo de cavalos-marinhos enrolados em cotonetes, tartarugas com a cabeça dentro de um saco plástico, aves marinhas com a barriga aberta e cheia de plásticos ou surfistas em ilhas distantes correndo tubos de ondas repletas de lixo. E muitos meios científicos já apontam nossos últimos cem anos, com cada vez mais acúmulo de materiais que não existiam na natureza, como uma era geológica diferente dos milhões ou bilhões de anos anteriores.

Mas ao insistir na reciclagem, que vem sendo questionada como insuficiente para dar resposta à questão, o próprio Roriz Coelho concorda na mesma entrevista que “tudo vai depender da educação do consumidor”. Ou seja, a Abiplast concorda com campanhas educativas.

Para solicitar o adiamento e um diálogo com o projeto, a associação encaminhou o pedido para o presidente da Câmara, Gustavo Martinelli (PSDB). De qualquer maneira, o assunto acabará sendo decidido pelo conjunto de representantes eleitos pela comunidade na Câmara, que tem diversos vereadores atentos a aspectos ambientais – na própria sessão do projeto adiado foi aprovada iniciativa sobre entulho.

A questão do plástico surpreende porque parece lógica mas assusta setores empresariais no mundo todo.

Mas não me pareceu possível discordar da conclusão de justificativa da proposta da campanha, de que “repensar nosso consumo é uma questão de responsabilidade com o planeta, nossos filhos e netos”. Por isso aceitei como jornalista, cientista social e ambientalista dar esta colaboração para a proposta. Sem ser próximo do vereador Romildo, fui convidada pela equipe da Priscila e da Ana.

A indústria ainda poderá enviar sugestões como o estímulo do consumidor por plásticos biodegradáveis ou o reforço no foco do plástico de uso único (como canudos, pratos, talheres), que é o segmento menos reciclado.

De acordo com o ofício da Abiplast, a entidade acaba de criar a Rede Empresarial de Cooperação para o Plástico alinhada ao conceito de circularidade da cadeia produtiva – e desde 2012 instaurou a Câmara Nacional dos Recicladores de Material Plástico. E dentro da linha de raciocínio defensivo, alerta contra o risco de “vilanização” do material presente na medicina, na construção civil, na comunicação, na informática, nos alimentos e bebidas, na limpeza, nos cosméticos, nos automóveis e até na agricultura.

Vale lembrar que a pesquisa médica em questão mostrou pela primeira vez no intestino humano - com pessoas de diversos países e micropartículas de 9 entre 10 tipos de plástico pesquisados – a presença principalmente de propileno (usado em embalagens de leite e sucos) e de PET (usado principalmente em garrafas).

E está se falando de uma campanha educativa, nem é de soluções efetivas. O plástico, afinal, é como o “agro” - está em quase tudo. Mas é um assunto que entrou na agenda ambiental e agora médica de muitos países e o Brasil não pode ignorar esse debate.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista e ambientalista
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Rotary Club de Jundiaí Leste festeja 50 anos com novo presidente

Claudio Garcia Gomes é o 45º a assumir o comando da entidade; conheça todos os que já passaram pelo comando 

Olha quem te espera no Maxi…

Papai Noel já está no shopping, acompanhado de Mamãe Noel e rodeado de diversão

Intervenção politiqueira

Douglas Mondo escreve sobre a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro

A Cica e os Figos Ramy – Doces lembranças

Por Vivaldo José Breternitz
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.