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Povo deve assumir protagonismo

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14 de novembro de 2018
Por José Renato Nalini

Na sequência de desgraças que a mídia dissemina, em seu papel de mostrar o que choca e de zelar pela continuidade do desalento, vem de Goiás um bom exemplo.

Em três municípios, a população, liderada pelo Juiz, Promotor e lideranças locais, construiu presídios que não resultaram da conhecida ineficiência do governo.

Não se entre na discussão que se faz necessária, sobre a preponderância da prisão como punição ao delinquente. Cadeia não resolve e nem recupera o prisioneiro. O cárcere é uma pós-graduação em criminalidade. E custa caro à população. Ela não tem noção do quanto!

Mas o gesto é significativo. Mostra uma vereda que precisaria intensificação em outros setores. Tudo o que o Governo faz é mais demorado, mais dispendioso, menos eficiente e a presunção de que existe corrupção não se dissipa. Ao contrário: a cada dia se mostra mais provável, pois a Lava Jato não desestimula quem tem certeza da impunidade. As técnicas malandras se sofisticam e se tornam a cada dia mais frequentes.

Quando juízes e promotores percebem que o Estado não consegue oferecer as vagas prisionais necessárias e a população se convence de que a principal prejudicada é ela mesma, a solução não é impossível. Quando o dono do dinheiro – o povo – assume o controle da edificação, esta é mais confiável. Segundo se noticiou, menos de um ano foi necessário para ultimar a primeira prisão. Se estivesse a cargo da Administração Pública, talvez a obra não tivesse passado pela fase burocrática da licitação.

Se o povo perceber a força que tem e a sua obrigação de não permitir que seu dinheiro, – sacrificado e suado, já que resulta da maior carga tributária do mundo – seja dilapidado, as coisas poderão melhorar no Brasil. Assim deveria ser com tudo aquilo que ele puder fazer por sua própria iniciativa. Escolas, asilos, centros de convivência, praças, abrigos, tudo o que se mostrar adequado a aprimorar a qualidade de vida de uma população espoliada, enganada e, por isso mesmo, descrente de tudo.

Não custa lembrar: governo é instrumento, é ferramenta, é encargo. O governante é servo do povo. O único detentor da soberania é o povo. Este é que precisa fazer valer aquilo que está explícito na Constituição da República: todo o poder emana do povo. Goiás mostrou que isso é possível. Por que não em outros lugares?

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista.
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