Jundiaqui
Jundiaqui

Quanta história submersa

Jundiaqui
18 de junho de 2019
Por José Renato Nalini

Jundiaí é uma cidade antiga. Sem adentrar às inúmeras discussões que já envolveram os historiadores Alceu de Toledo Pontes, Mário Mazzuia, Padre Antonio Maria Stafuzza e, mais recentemente, Luiz Haroldo Gomes de Soutello, parto de 1615 como data de fundação da Vila Hermosa de Nossa Senhora do Desterro do Mato Grosso de Jundiahy.

Estamos a ocupar estas colinas e a ter como horizonte a belíssima e fragílima Serra do Japy, desde o século XVII.

Durante estes séculos, quanta História, quanta gente aqui nasceu, sonhou, viveu e morreu. De quantos nós nos lembramos? Somos pródigos em pensar no hoje – o imediatismo egoísta – e módicos, até miseráveis, em prestar tributo ao ontem. Foi o passado que nos legou o que temos. Se nossos antepassados fossem dendroclastas como hoje parece que somos, já não teríamos este maravilhoso microclima e teríamos destruído a Serra. Seríamos uma periferia desértica e cor de cinza, como não é difícil encontrar a poucos quilômetros de distância.

Jundiaí sempre surpreende. Encontrei, por uma busca arqueológica na biblioteca da Academia Paulista de Letras, um livro que Maria Jacobina de Sá Rabello escreveu e publicou no Rio em 31.10.1916. Chama-se “Meu Pai” e é em homenagem ao sogro, Antonio José da Silva Rabello, nascido no Rio de Janeiro a 20.7.1852.

E onde entra Jundiaí? A família morou em Jundiaí durante quatro anos. Aqui, ele mantinha a casa aberta aos carentes. Fez por duas vezes festa de Natal para mais de cem crianças que recebeu em sua residência, “fazendo-as felizes com brinquedos, doces e óbolos generosos”.

Numa das festas que promoveu em Jundiaí, o menino Nhonhô, filho da Baronesa de Jaguara declamou versos escritos por Silva Rabello, onde ele fala de “Manduca”, inspetor da Paulista e saxofonista, menciona o médico Dr. Cavalcanti, de um engenheiro que construiu uma ponte que mereceu elogios até do “seu Prado”. Termina a poesia com os versos “e sou novo em Jundiaí. E quero entrar para a roda. Da gente boa daqui”, com a data 31.1.1902.

Escreveu soneto para “A Folha” de Jundiaí, um dos quais está no livro em que sua nora procura reverenciar sua memória. Quem hoje se lembra dele? E destes personagens os quais ele mencionou? Somos, na verdade, desmemoriados. Talvez porque não saibamos lidar com a única realidade que nos espreita: a finitude, a partida, a morte.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Tem peça toda em inglês no Teatro Polytheama

É com a Cia Paulista de Teatro Bilíngue, que apresenta neta sexta, às 15h, “Hansel & Gretel: A Delicious Musical Comedy”

A complexidade da função de treinador

Por Marcel Capretz

Cestinhas com creme de mandioquinha e queijo roquefort

Por Paulo de Luna

Arraiá dos bão: dia 30 tem Festa Junina do Celmi

Alunos festejam fim do primeiro semestre com dança da quadrilha e muita diversão
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.