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Recados à consciência

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6 de agosto de 2017
Por José Renato Nalini


Na convicção de que todas as pessoas lúci­das e de boa-fé estão convencidas de que educa­ção de qualidade é a solução, cumpre assumir res­ponsabilidades e deixar o discurso desvinculado da ação.






A situação de fragilidade no sistema de en­sino reclama adoção de atitudes estruturantes por parte de detentores de qualquer parcela de poder. A escola precisa acordar para a verdade. O ser hu­mano mergulhou na quarta revolução industrial, vivencia profunda mutação de valores e enfrenta retrocessos morais preocupantes.

O momento é de breve reflexão, pois o vo­lume de diagnósticos é suficiente à tomada de pro­vidências conducentes à geração de um clima de renovada esperança. Alguns verbos podem ilustrar o que poderia trazer coragem revisitada para os protagonistas do processo de ensino/aprendizado.

Confiar é o primeiro deles. Embora se apregoe a capacidade crítica, louve-se a autonomia, parece vigorar o princípio da presunção de má-fé. Exces­siva regularização, blindagem de procedimentos, formalização de quase tudo, privam o educador da liberdade essencial à formação de um alunado pre­parado para os desafios do amanhã.

Dialogar é o segundo. Não é possível im­por medidas de gabinete, resolvidas em reuniões teóricas intermináveis, sem ouvir quem está na trincheira. Escutar é o terceiro. Auscultar, dar vez e voz a todos os interessados. O diálogo co­meça com os ouvidos abertos, disse recentemente o Papa Francisco. Não é prudente acreditar que o princípio da autoridade se imponha pela força e não pela razão.

Estar presente é o quarto passo. Ir à esco­la. Participar da experiência exuberante, mas nem sempre tranquila, de tentar transmitir informação a quem já a obtém por iniciativa própria, na infla­ção de dados propiciada pela web. Nada como  o contato direto e pessoal com a realidade da sala de aula e com os espaços de gestão da unidade escolar.

Estimular é a quinta etapa. Há milagres que acontecem diuturnamente na frente de batalha. Educadores anônimos e que encontrariam motivo bastante para desalento, continuam a acreditar em sua missão e dão o máximo de si, até mesmo o impossível, para formar cidadãos de bem.

Desburocratizar é o sexto mandamento. Há muita complexidade inútil para a finalidade nobre que é a educação integral. O que pode ser mais singelo ganhará muito se abdicar da sofisticação para reduzir o grau de tarefas repetitivas, que nada acrescentam ao resultado final, e tiram o foco do objetivo.

Inovar a palavra de ordem da sétima ação. O mundo precisa de ousadia e audácia. A criança e o jovem são personagens aptos ao exercício da criatividade. Dar oportunidade a que a imaginação desabroche e encontre soluções que a rotina e a mesmice nem sempre permitem ao profissional, imerso nas aflições de um desempenho ameaçado por inúmeras vicissitudes.

Envolver é o oitavo verbo invocável. Con­taminar os parceiros para o projeto comum de im­primir à educação o grau de excelência necessário à alavancagem de uma estrutura que clama por atenção e, mais do que isso, está carente de cari­nho e de consideração.

Quantos outros verbos igualmente poderiam prestar a sua colaboração para trazer tonalidades instigantes ao universo da educação. Mas esses oito já constituem desafio bastante a quem de fato queira participar da mais relevante dentre as tarefas cometidas a todo brasileiro interessado em melhorar o seu País.

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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