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Sair da caverna

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22 de dezembro de 2018
Por José Renato Nalini

O tsunami de más notícias que assola o país reserva hiatos para bons sopros. Um deles é o anúncio de que o Instituto Serrapilheira formará divulgadores de ciência, na beatífica missão de resgatar a valia e o interesse pela pesquisa científica nesta terra de atrasos.

O Brasil cometeu a façanha de se tornar a Nação mais judicializada do planeta. Tudo aqui chega ao Judiciário. Uma das causas: o número excessivo de Faculdades de Direito, que preservam o longevo modelo coimbrão, já antigo em 1827, quando D.Pedro I o transplantou para o Brasil. De lá para cá, assistimos ao “milagre da multiplicação” das escolas de Direito. Elas atingem uma cifra superior à soma de todas as outras que existem na Face da Terra! Não pode dar certo uma República com tantos bacharéis.

Enquanto isso, capengamos na ciência. E é a Ciência que modela a humanidade do Futuro. Países que passaram por guerra, que têm cataclismo recorrente, que sofrem vicissitudes terríveis dão o show em termos de patentes, de descobertas, de avanços científicos. Aqui amargamos um retorno à origem colonial, com a exportação de commodities primárias, num primitivismo de dar dó.

Em excelente momento Bianca Vianna e João Moreira Salles instituíram o Serrapilheira. O primeiro instituto privado de fomento à ciência no Brasil. O programa de divulgação científica tem três eixos:

1. Formar profissionais para divulgação científica. Uma chamada pública selecionará 50 projetos de divulgação científica. Em setembro próximo, num evento de quatro dias, os selecionados mostrarão suas ideias e participarão de workshops na área. Nova seleção apoiará 20 projetos com até R$ 100 mil cada.

2. Incentivar jovens a adotarem carreira científica. Ampliar o programa de formação científica de profissionais de física em funcionamento no Instituto Perimeter, do Canadá. O objetivo é ensinar física avançada por meio de conceitos simples, de maneira a que se possa transmitir também de forma singela ao alunado

3. Aperfeiçoar a habilidade de comunicação dos pesquisadores. Os 65 cientistas selecionados no primeiro edital do Serrapilheira gravarão vídeos com explicação clara e objetiva de suas pesquisas. Cada um gravará três vídeos diferentes, voltados para três públicos específicos: crianças, universitários e especialistas.

Somente a ciência poderá resgatar o atraso do Brasil num campo em que tantas Nações avançaram e, com isso, atingiram estágios de desenvolvimento que impactaram a vida de todos os nacionais. Precisamos de mais cientistas em física, química, biologia, matemática, e em outros ramos da chamada “ciência dura” ou “exata”. Quanto às humanas, já estamos bem. Dá para viver com aquilo que se tem, pelos próximos dois ou três séculos.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista
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