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Sem educação, não há salvação

Jundiaqui
7 de abril de 2018
Por José Renato Nalini

A profunda crise que acometeu o Brasil nos últimos anos derivou de falta de educação. Custa crer que a elite intelectual disso não tenha se apercebido. Educação consistente produz cidadania mais do que ativa: proativa, assertiva, fiscalizadora e exigente.

O Brasil disseminou os direitos sociais antes de investir nos direitos civis. Prodigalizou benefícios sem contraprestação. Manter a pobreza iludida de que bolsas variadas resolveriam sua viagem por uma existência privada de dignidade.

O resultado é a crescente demanda de satisfação de infindáveis novos direitos, sem avaliar as consequências que adviriam de seu atendimento. Um País que não cabe no seu PIB. Legião de despreparados sobrevivem na informalidade e as necessidades da 4ª Revolução Industrial não conseguem ser atendidas porque não se prepara profissional à altura das exigências da era digital.

Tudo isso passa por uma escola decente. Nos últimos tempos, divulga-se a criação de nichos de excelência com unidades educacionais de última geração, predestinadas a acolher futuras lideranças. É bom. Mas é pouco. Quem está a observar o lado cruel do agravamento da desigualdade?

Algumas vozes lúcidas trazem a receita que é conhecida e não constitui novidade. No artigo “Ao sol do novo mundo”, publicado na Ilustríssima da FSP de 4.2.18, Armínio Fraga e Robert Muggar fazem análise do papel do Brasil na nova ordem internacional, sob a crescente influência da China e declínio norte-americano e reconhecem a supervalia da educação: “…não menos importante, a sociedade civil vem se mobilizando para reverter sua profunda e histórica negligência quanto a um ensino público de alta qualidade como fundação para o desenvolvimento econômico e político”.

Menos mal. Tento fazer minha parte. Conclamei mais de 5 mil empresas, bancos, clubes, Igrejas, organizações, entidades e pessoas físicas a “adotarem afetivamente” escolas públicas estaduais. Não é caridade, nem filantropia, nem marketing. É a obrigação da sociedade civil que, ao lado da família e do Estado, é solidariamente responsável pela escola pública. O projeto educacional brasileiro não prescinde da atuação conjunta e consistente dessa tríplice aliança.

A resposta nunca representa o que seria desejável. Mas bons exemplos já frutificam. O melhor é que os adotantes recebem muito mais do que as unidades escolares adotadas. Conviver coma infância e juventude nesta era digital, constatar sua criatividade, engenhosidade, vontade de dominar as ferramentas para uma sobrevivência cada vez mais inesperada é gratificante.

Mas é preciso mais. O crescimento das organizações não governamentais foi um fenômeno estimulado por uma Constituição que acreditou no associativismo e reconheceu que, sozinho, o indivíduo pode ser impotente para o enfrentamento dos gigantescos desafios deste século XXI. Elas podem colaborar para fortalecer a família – ou o que sobrou dela – a fim de que pais, núcleos afetivos, grupos que substituem a “família típica”, também cumpram com o seu dever de participar ativamente da vida da escola.

O projeto “Escola da Família” subsiste, apesar dos altos e baixos do contingenciamento orçamentário e de uma certa paralisia que mantém a inércia e um certo desalento diante de tudo o que as altas esferas oferecem como exemplo do que não deve ocorrer.

Mas a presença de pais ou responsáveis na escola não precisa esperar fim de semana ou feriado. Precisa ser mais constante. Tudo melhora quando a família está ao lado das equipes docente e gestora e colabora para que o rendimento do aprendizado seja mais próximo ao ideal.

Saudável também verificar que a educação é a ênfase do total de depoimentos exibidos pela TV Estadão desde outubro de 2017. Educação é uma prioridade brasileira. Educação resolve problema de saúde, de segurança, de emprego, da crise ecológica, do convívio fraterno que o Brasil precisa propiciar a um dos povos mais inteligentes do planeta, mas que continua capenga quando comparado com aqueles que dispararam, mercê de educação levada a sério.
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