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Sons do silêncio

Jundiaqui
5 de outubro de 2019
Por Vera Vaia

Por muitos anos a gente morou num bairro considerado bem tranquilo para os padrões de uma urbe. Até que a prefeitura decidiu abrir uma via de acesso que liga as duas maiores avenidas da cidade, bem debaixo da janela do quarto onde, até então, a gente dormia o sono dos justos.

Nem precisa dizer que o que era antes o paraíso virou um inferno. Barulho o dia todo.

O trânsito só começava a diminuir por volta da meia-noite, mas perto da cinco da matina ônibus, caminhões, tratores e todo o tipo de veículo, com seus roncos, suas buzinas e suas freadas, resolviam que já tínhamos dormido o bastante.

Sem esperanças de que isso um dia fosse melhorar, decidimos construir outra casa num bairro próximo, bem mais sossegado.

Maravilha! Há quatro anos morando na cidade como se fosse no campo, em meio a plantas e árvores de toda espécie. Um silêncio ensurdecedor. Ou quase! Um carro ou outro passa por aqui, mas quase não se ouve. O som é abafado por um muro alto de pedra que só não consegue fazer calar a pamonha de Piracicaba ou o trinta ovos, dez reais.

Nesse clima relaxante, aproveito a cálida tarde de um belo dia de primavera, e tento ler um livro na varanda.

Infelizmente os pernilongos acharam que já era hora do jantar e começaram a se servir fartamente da minha carne. (Minha vingança é saber que o colesterol deles vai pro espaço.😆).

Mudo de lugar achando que eles deviam estar dormindo na rede e que eu os acordei com minha presença. Me sento numa poltrona. Oba! Eles ainda não me acharam, já posso ler sossegada.

Posso? Poderia até, se o som ardido das maritacas não tivesse tirado minha concentração. Tento mais um pouco, mas aí o coro delas recebe a colaboração das cigarras que, sem filtro, fazem questão de contar pra todo mundo que estão acasalando, sob os olhares curiosos do pássaro xereta que, indignado, brada em alto e bom som um sonoro bem te vi!

Saio procurando um lugar mais tranquilo. Tento me livrar dessa muvuca aqui da frente de casa e procuro me abrigar lá nos fundos. Quem sabe assim não perceba o som dessas criaturinhas.

Achei um cantinho no jardim, debaixo de uma árvore. Meus gatos me acompanharam e isso acabou com o meu pretenso sossego e também o das rolinhas que estão fazendo um ninho nela. A fúria protetora de uma mãe rolinha faz com que ela solte gritos estridentes e dê vôos rasantes sobre minha cabeça pra avisar aos gatos que com rola não se brinca!

Desisto do livro! Entro, deixo as portas abertas para que entre junto um pouco de ar, e me atiro no sofá pra ver televisão. Mas só consigo ver programas legendados porque a essa hora os cães levam seus donos pra passear e a cachorrada que está presa não se conforma com isso. Latem até perderem suas forças, e eu, minha paciência.

Ah, mas como é bom morar num lugar tranquilo, longe das buzinas e dos roncos dos motores dos carros.

Verdade que ainda tem o ronco dos motores dos aviões que já estão voando mais baixo pela proximidade do aeroporto, mas isso só acontece a cada meia hora! Ufa!

Vera Vaia é jornalista
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