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Trabalho sob fogo

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3 de maio de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

Atualmente, apenas 32,9 milhões de brasileiros (entre 209 milhões) estão atuando com registro em carteira de trabalho. São menos de 16% do total da população. Por outro lado, empregadores são ainda mais raros, com 4,36 milhões (incluindo muitos com apenas um ou dois empregados). Onde ficam as demais 171,74 milhões de pessoas?

Vemos que 13,7 milhões foram computados no cálculo do IBGE como trabalhadores em busca de empregos ainda sem êxito. Como a taxa resultante é de 13,1%, os números indicam uma força de trabalho em torno de 104,5 milhões (50% da população). Na outra metade, 64,9 milhões estariam com idade de trabalhar, já descontados crianças com menos de 14 anos e aposentados, mas desempenham papéis como estudantes, donos ou donas de casa, herdeiros, clandestinos e até mesmo aqueles que em tese desistiram de procurar um trabalho fixo.

Mas voltemos à força de trabalho. A taxa de 13,1% de desemprego é o dobro daquela divulgada no final de 2014 (e que já era suspeita de ser subestimada), o que indica o tamanho da crise desenrolada entre 2014 e 2018 no traumático mandato Dilma-Temer (marcado pelo impeachment ou golpe, a gosto do freguês). E forma a tragédia social ilustrada recentemente pela volta dos fogões a lenha.

A outra tragédia em andamento é a precarização. Somando os registrados, os empregadores e os desempregados, sobram ainda outros 53,62 milhões. São os trabalhadores da iniciativa privada sem registro (10,7 milhões), os trabalhadores domésticos (6,2 milhões) e os chamados trabalhadores familiares auxiliares (2,2 milhões).

Também está presente o crescente grupo de trabalhadores por conta própria (22,95 milhões). Parte deles poderá desenvolver suas microempresas para o crescimento como “start ups” - mas a maioria ainda é de pessoas “empurradas” para a iniciativa privada pelo desemprego. E existe o fato de que parte dessa dimensão de “start ups” é a enorme automação em andamento na Quarta Revolução Industrial, palavra do momento na economia que depende das políticas públicas para gerar ou eliminar ainda mais postos de trabalho.

Ah, a força de trabalho inclui ainda os 11,2 milhões de funcionários públicos, que contam com relativa estabilidade de emprego e tem uma parcela incluída na elite mais rica do país.

A chamada renda habitual dessa força de trabalho é estimada em R$ 2,3 trilhões, um terço do PIB do Brasil e equivalente a uma renda “per capita” de R$ 11 mil por ano por cada brasileiro. Embora as diferenças sejam naturais no sistema, não parece impossível retomar um rumo sustentável no campo econômico, social e ambiental. Mesmo com a deterioração das condições gerais do debate.

As enormes desigualdades étnicas, etárias, regionais ou de gênero no mundo do trabalho exigem a busca por mais equidade ao lado da produtividade e dos ajustes compensatórios na precarização de direitos ou na destruição ambiental, por exemplo.

A não ser, claro, que percamos totalmente a crença de que a maioria absoluta desses 104,5 milhões que trabalham ou buscam oportunidades (e da outra metade que trabalha, se prepara ou concluiu sua jornada principal) seja formada por brasileiros honestos. Mesmo com diferentes pontos de vista ou algumas vezes manipulados por outros.

Alguém aí falou, por exemplo, sobre regras inteligentes sobre robôs? O mundo do trabalho pode estar sob fogo, mas é nesse mesmo fogo que foram fundidos grandes instrumentos da humanidade. Em homenagem a 68, para mais que direita ou esquerda, que a imaginação retorne ao poder.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista e sociólogo
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