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Um robô lhe substituirá

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15 de fevereiro de 2018
Por José Renato Nalini

Essa é a ameaça contida em inúmeras profecias daqueles que enxergam na 4ª  Revolução Industrial uma concepção muito diferente das anteriores. A transformação tecnológica atual não pode ser considerada à luz daquilo que a humanidade já enfrentou.

Para os otimistas, houve solução natural para todas as mudanças anteriores. Assim, os ex-trabalhadores agrícolas encontraram empregos em fábricas. Ex-operários foram realocados pelo setor de serviços. Mas agora a situação é diversa. Os efeitos da revolução contemporânea são generalizados. Desapareceram ascensoristas, telefonistas, cobradores. Mas, até mesmo cirurgiões estão ameaçados. Nenhum emprego está imune. As tecnologias que propiciam economia de mão de obra reduzem drasticamente o número de empregados.

Exemplifique-se com o segmento de serviços financeiros em Nova Iorque no ano 2000. Eram 150 mil pessoas formalmente empregadas. Em 2013, são 100 mil. Isso acontece também com o setor bancário no Brasil. Agências fecham e a maior parte dos correntistas prefere acionar suas contas pelo internet bank.

Ilusão acreditar que o mundo digital absorverá toda a capacidade ociosa de trabalho. Qualquer ocupação consistente em sentar diante de uma tela e manipular informação tende a desaparecer. Não há ser humano que consiga competir com os custos da automação em acelerada e impiedosa queda.

Os americanos lúcidos já se aperceberam disso. Se no século 19 o conselho era “Vá para o Oeste!”, no século 20 foi : “Estude engenharia!”. Só que isso já não vale para o século 21. Um terço dos norte-americanos que se formaram em ciência, tecnologia, engenharia e matemática trabalham em áreas que não requerem esse diploma. Por  todo o território americano encontram-se programadores de computação a servir como atendentes em fast food. E na era da inteligência artificial, se tornarão a cada dia mais obsoletos.

Pais, educadores e cidadãos conscientes têm a obrigação de despertar para essa realidade inexorável. Pensar em mudar a cultura, para que as novas gerações sejam incentivadas a descobrir atividade prazerosa e não convencional. Tudo está em profunda mutação e quem não se aperceber será engolido pela realidade.

O grande desafio da educação nesta era é oferecer cardápio sedutor para crianças e jovens. Tudo precisa ser reinventado. O certo é que as tecnologias propiciadoras de economia de mão de obra reduzem drasticamente o número de pessoas empregadas em qualquer ramo. Isso inclui os advogados.

Um jovem francês criou a Wonderlegal, que responde prontamente a milhões de indagações jurídicas, emite pareceres e faz conciliação. Haverá um dia em que a sociedade acordará para o excesso de demandas intermináveis e dirá “basta”. Por isso é investir na capacidade de argumentação, nas práticas conciliatórias, na adoção definitiva da composição consensual de controvérsias.

Enquanto o emprego desaparece, disparam os lucros de Wall Street e todas as operações de ações são hoje executadas por algoritmos. O que aconteceu com a mídia social é emblemático: em 2014, o Facebook adquiriu o WhatsApp, com 55 funcionários, por US$19 bilhões. O que pensar de um custo de 345 milhões de dólares por empregado?

A questão mais séria e trágica é que ao canalizar os lucros da nova economia para poucos privilegiados, os robôs acabam com o principal propulsor do crescimento: a demanda da classe média. Se a força de trabalho é antieconômica, o poder aquisitivo diminui.

Como sustentar o desempregado? Como fazê-lo sentir-se útil? Como propiciar vida digna e decente para as futuras gerações?

São questões que não estamos a enfrentar com a seriedade e consistência necessária. A única certeza é a de que o mundo mudou. Daqui a 20 anos nada será como agora. Só que não se tem ideia do que será a vida em 2040, 2080, 2100…

Enquanto isso, tentemos responder ao repto explícito: um robô vai substituir você no emprego. Fará o que você faz hoje com rapidez e menor custo. E você? O que fará?

José Renato Nalini é secretário estadual de Educação e docente da Uninove
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