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Você quer ser conector social?

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18 de abril de 2019
Por José Renato Nalini

Ao menos 701 profissões desaparecerão nos próximos anos, fruto da 4ª Revolução Industrial. Embora não se possa menosprezar a capacidade do capitalismo selvagem de criar funções inúteis, é preciso também pensar em atividades úteis e que satisfaçam o ideal humano de se aproximar do nível de felicidade possível.

A Inglaterra já inventou uma profissão desse futuro próximo. A de conector social. O que ele faz?

É alguém que ajuda a solucionar problemas que incomodam o seu semelhante e que podem causar grandes males. Até para a economia! Este o viés que fará com que o novo mister possa vir a interessar a alguns grupos. Dentre eles, o poderoso setor da assistência privada à saúde.

A Inglaterra percebeu que o idoso sozinho apresenta quadros de depressão, de estresse e de patologias fisiológicas, orgânicas mas também mentais, com intensidade superior à de outros segmentos. A solidão machuca, se ela é indesejada e não foi fruto da vontade da pessoa só.

O conector social é alguém que se aproxima das pessoas, que atua para fazê-las conviver. Viver sozinho sem que se queira gera atrofia afetiva. Traumatizado, o indivíduo não consegue depois se relacionar. Torna-se um fugitivo do convívio. Não sabe mais conversar. Não se aproxima de quem não conhece. Tem pavor de sofrer decepção.

O conector social visita essas pessoas, procura fazer com que elas se interessem por grupos. Caminhadas semanais, dança, jardinagem, crochê, tricô, contar estórias, participar de um coral. Tudo serve para fazer com que as pessoas sós passem a se relacionar. E com isso, o governo inglês conseguiu uma façanha. Reduziu significativamente o número de suicídios, de internações, de idas ao pronto atendimento, de necessidade de remédios para esse desconforto de consciência que só a pessoa só passa a ter com frequência.

Idosos sozinhos, separados e divorciados, viúvos, pessoas consideradas difíceis, vítimas da síndrome do “ninho vazio”, são todos candidatos à atuação benevolente do conector social. Que tem de ser alguém talentoso, com aptidão para se relacionar sem parecer intrometido na vida alheia.

Os responsáveis pelos dispendiosos planos de saúde, que costumam vincular o crescente aumento de custos ao excesso de demanda, economizariam se investissem num projeto como esse. Formar conectores sociais. Estes poderiam começar por uma análise do quadro de partícipes dos planos e atuar preventivamente para que a qualidade de vida do idoso fosse a cada dia melhor.

Unir-se-ia o utilíssimo ao agradável. Criaria novo espaço para atividade remunerada e se economizaria com o atendimento de quem só foi ao Pronto Socorro ou procurou o médico porque, na verdade, estava necessitado era de uma boa e saudável conversa.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Pronto Para Partir”, RT-Thomson Reuters.
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