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Armas? Estou fora!

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25 de janeiro de 2018
Por José Renato Nalini

Nada menos do que 68 projetos tramitam pelo Parlamento Brasileiro para revogar ou flexibilizar o chamado Estatuto do Desarmamento. Prova evidente de que ao contrário do discurso da paz, o que se pretende é intensificar o uso de armas de fogo que, na verdade, significam Morte!

Para acabar com uma norma que foi resultado de reclamo popular, invoca-se a segurança do cidadão. Segurança que melhor se obteria se houvesse um desarmamento geral e absoluto. Sou radical nessa área: algo que é produzido para matar, sequer deveria existir. Procuro ser coerente com esta convicção. Permaneci durante 43 anos no sistema Justiça: quatro como promotor, quase quarenta como juiz. Uma das prerrogativas dos exercentes dessas funções é o porte de arma. Nunca procurei me servir dela.

Inacreditável que em pleno século 21 da era cristã, com os avanços científicos e tecnológicos disponíveis, não se consiga algo que não mate, embora possa servir ao sistema policial para neutralizar os infratores ou aqueles que ameaçam a incolumidade do próximo.

Sei que o discurso é também nutrido pela indústria bélica. O Brasil pacifista é um grande fornecedor de armas para as nações fratricidas. Esse dinheiro faria falta à balança comercial. Mas por que não programar tal indústria para algo benéfico à sociedade? O mundo precisa de tranquilidade, de harmonia, de convívio saudável, de fraternidade. Não de guerra, de violência, de irmão matando irmão.

Armar o cidadão é torná-lo mais vulnerável. Falácia manifesta afirmar que a pessoa armada tenha condições de se defender melhor. A prova empírica reiteradamente inserta em todas as mídias é a de que armas cada vez mais potentes e letais estão nas mãos da bandidagem. Isso é que deveria merecer atenção e cuidado de governo e de todos os que pregam o armamento indiscriminado. Ou se pretenderá entregar fuzis, metralhadoras, canhões, granadas e explosivos à população em geral?

É mais do que notório que o acesso livre à arma de fogo excita o violento, faz com que ele se torne intimorato, mais corajoso e até pronto a bravatas. Como serão resolvidas as questões de trânsito quando todos os motoristas tiverem sua arma ao alcance das mãos para revidar as “fechadas”, as “barbeiragens”, os “passa-moleques” que a falta de educação prodigaliza num caos cada vez mais intolerável? O que será dos bares, das discussões dos bêbados, da valentia estimulada pelo álcool, quando o alcoolizado puder se servir de uma pistola que porte consigo? E as questões familiares? A maior parte da violência perpetrada contra mulher ocorre no âmbito doméstico. Se o indivíduo está armado, o uso dessa máquina nefasta é certo.

O Brasil já mata demais. E sepulta o futuro, pois as chacinas diuturnas liquidam o jovem. Quase sempre do sexo masculino, negro ou pardo, muita vez com envolvimento no tráfico de drogas, mocidade sem perspectiva e sem futuro. Essas mortes que se contam aos milhares, muito mais numerosas do que as guerras civis no restante do mundo, só não são objeto de ira popular porque paira a sensação de que não se cuidou de chacina, mas sim de “faxina”. São os despossuídos os que morrem mais. São os hipossuficientes, os desvalidos, os desprivilegiados, os desprovidos de educação e de vida digna.

Os Estados Unidos deveriam nos servir de exemplo. Ali, com frequência melancólica, indivíduos com alguma patologia, mas nem sempre antes detectada, pois pareciam pessoas normais, matam por atacado em escolas, igrejas, shows e outras aglomerações.

Por que isso? Porque ali se adquire arma pela internet. Ainda há pouco, veiculou-se pelas redes a emoção de uma criança, menina de dez anos, aproximadamente, ao ganhar sua arma de fogo.

É isso o que se quer para o Brasil? Por que não usar a inteligência, a energia, a vontade política e o dever cívico do Parlamento para exigir maior controle das fronteiras, aparelhamento eficaz das polícias para recolher tudo o que é arma clandestina, coibir o comércio livre de armamento de uso exclusivo das Forças Armadas que sempre vai parar nas mãos do infrator?

Permitir que todos tenham arma é potencializar o número já vergonhoso de mortes com que nos acostumamos, impassíveis, até que alguma “bala perdida” atinja algum ser querido,mais próximo de nós do que a invisível periferia hoje vitimada.

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo e docente da Uninove

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