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Celular em sala de aula: indisciplina e tecnoestresse

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24 de novembro de 2017
Por Nelio Fernando Reis

Indisciplina pode ser caracterizada como rebeldia, desobediência ou violação às regras estabelecidas. Sendo um dos grandes desafios a serem enfrentados no ambiente escolar. Dificulta o processo de ensino-aprendizagem e afeta a construção de uma relação sadia, tornando-se um pesadelo. E pode piorar com a lei paulista que autoriza o uso do celular em sala de aula. Vai aumentar a síndrome do tecnoestresse.

Levantamento realizado em 2017 pelo Instituto Locomotiva a pedido do sindicato dos docentes paulista (Apeoesp), mostra que 51% dos professores foram agredidos verbal ou fisicamente. Pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que no Brasil o professor perde 20% de tempo de aula acalmando alunos indisciplinados. Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem que coletou dados de 33 países aponta que o Brasil ocupa primeiro lugar no quesito intimidação verbal de professores. Fica em primeiro também no quesito maior número de alunos por sala de aula. Difícil controlar.

Brigar, gritar ou repreender não é o melhor caminho para enfrentar a indisciplina. Sabemos que lidar com a indisciplina, na sala de aula ou em casa, é uma tarefa difícil, mas não é impossível. A falta de apoio ao professor faz com que os próprios alunos se sintam desamparados quando colegas atrapalham a aula ou violam as regras e não são chamados a responderem por sua conduta. A sala de aula se torna um lugar de conflito e medo. Compromete o rendimento escolar. Estabelecer uma relação de respeito auxilia a minimizar os conflitos. Mas, não resolve.

Respeito é o modo pelo qual se encara uma questão. O governador paulista, ao autorizar o uso de celular para fins pedagógicos, esqueceu-se de distribuir aparelhos celulares para todos os alunos e professores da rede. Quando o aluno acessar seu celular não vai aceitar fazer uso sob orientação do professor. Vai alegar ser uma propriedade privada. Ficarão com um olho na explicação do professor e outro nas mensagens. Aumentará o desejo incontrolável de verificar constantemente aplicativos, de estar sempre ligado ao toque do celular, de se distrair no aparelho em todos os momentos, de ansiedade generalizada. Isto é síndrome de tecnoestresse.

Enfim, o primeiro a sofrer com a indisciplina é o próprio aluno. A sala de aula deixa de ser um lugar de prazer e conhecimento. Um aluno indisciplinado atrapalha o rendimento da turma. O professor também sofre, pois a relação fica desgastada. Isso se transforma em estresse. A sociedade perde. Sabemos que o aparelho celular faz parte do cotidiano dos jovens. Mas ficar conectado por tantas horas e dependente do celular tem seu preço. A saúde dos alunos, professores, pais e família pagará essa conta.

Governantes deveriam investir primeiro em aparelhos celulares, softwares e treinamentos pedagógicos suficientes para todos, antes de autorizar mais indisciplina.

Nelio Fernando Reis é doutor em engenharia de produção
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