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Conheço esse semblante

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28 de junho de 2018
Por José Renato Nalini

O reconhecimento facial é um avanço propiciado pela tecnologia contemporânea que vai mudar a vida dos humanos neste Planeta. Ele já é possível no comércio. Sistema sofisticado de câmeras de segurança reconhecem clientes, combinam seu perfil com o histórico de consumo. Sabem o que ele comprou, quais os espaços que procura dentro do shopping ou da loja de departamentos, como ele pagou e qual a frequência com que entra no estabelecimento.

É possível fazer com que atenciosos vendedores, portando tablets, se dirijam ao cliente chamando-o pelo nome e dando atenção especial. Isso fica mais fácil se o cliente se cadastrar num aplicativo ou programa de fidelidade. Mas ainda o não faça, o sistema de segurança atuará por ele.

Os transportes coletivos já se servem do mecanismo para identificar passageiros que adquirem passes ou que são portadores de benefícios em virtude da idade, por exemplo. Se eles fornecerem sua identificação para pessoas não beneficiadas, sofrerão exclusão automática. Pune-se a fraude e há geração de economia para as empresas que são obrigadas a “fazer cortesia com o chapéu alheio”. Ou seja: se a lei estipulou a gratuidade e se não há almoço grátis, é o governo que deveria arcar com esse custo.

Nas escolas há um grande campo aberto com a identificação facial. A entrada de alunos pode ser controlada, com aviso aos pais de que eles não entraram. O EAD-Ensino à Distância, será mais eficiente. Ou seja : identificado o aluno matriculado, será possível comprovar se ele está mesmo frente à tela no momento da aula. Tanto as aulas online como as provas serão, perdão pelo trocadilho, “à prova de fraude”.

Para viajar, o check-in já pode ser feito pelo celular, mediante um selfie e utilização do app da empresa. Com isso, adianta-se a escolha de alimentação -hoje bem paga… – de acordo com a religião ou com a dieta a que se submeter o passageiros.

Os pagamentos e as aberturas de conta nos bancos já podem ser feitos com fotos tiradas pelos próprios correntistas interessados, pelos seus celulares. É um sistema que está ainda no início, mas é muito promissor.

O efeito perverso é que um bem chamado intimidade ou privacidade, garantido pela Constituição Cidadã, foi inteiramente descartado. Mas por escolha da pessoa que deve cotejar o custo-benefício de escancarar sua vida, a começar pelo seu semblante, em troca de segurança e rapidez ou preservar o pretenso esconderijo na falácia de uma intimidade que sempre foi vulnerada por inteligentes sistemas de prospecção da existência alheia.

José Renato Nalini é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista
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