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A corrupção custa caro

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7 de dezembro de 2017
Por Lúcio Dutra

A corrupção entrou de vez na pauta do brasileiro, virou assunto em conversa de boteco, em reunião de amigos, até em papo de adolescente... É claro que continuamos a falar apenas da corrupção dos outros, mas já é um bom começo.

Mas quanto custa para o Brasil essa tal de corrupção? Vamos tentar dar cara e números para este monstro, desde já pedindo desculpas pela simplicidade do texto já que o espaço é pequeno e o autor bem limitado.

Dados da Transparência Internacional mostram que o Brasil está entre os mais corruptos do mundo, disputando palmo a palmo com países mais atrasados economicamente da África, do Caribe e da América do Sul. Estamos na 69º posição no ranking de 176 países, com uma pontuação de 43 pontos. Escores inferiores a 50 indicam graves problemas de corrupção. E olha que esses dados são de 2012, ainda não dá estudo mais recente...

Análise da Fiesp estima o custo médio da corrupção no Brasil entre 1,38% a 2,3% do PIB, no mínimo R$50,8 bilhões (dados de 2010, considerando o PIB de 2016 este valor se aproxima de R$ 80 bilhões). Com esse dinheiro seria possível construir 57,6 mil escolas de ensino fundamental, pagar 209,9 milhões de bolsas família em seu valor máximo ou construir 918 mil casas populares segundo o programa Minha Casa Minha Vida II.

Essa montanha de dinheiro que escoa pelo ralo prejudica o aumento da renda per capita, o crescimento e a competitividade do país, comprometem a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social e às empresas melhores condições de infraestrutura e um ambiente de negócios mais estável.

Sem contar que a devastação moral e ética que o país atravessa é tão grave que a corrupção já é vista por muitos como o primeiro ponto a ser enfrentado pelo país. Antes a saúde e a educação apareciam na frente. Mas o brasileiro está percebendo que só quando a corrupção for de fato estancada é que vai sobrar recursos para outras áreas fundamentais.

Como fazer pra trazer a corrupção para níveis civilizados? É isso mesmo, a meta é a redução da corrupção. Sua erradicação é impossível! Numa escala de 0 a 7 o Brasil tem índice de 2,46 contra pouco mais de 5 pelos 10 países menos corruptos do mundo. Relação que inclui Luxemburgo, Japão, Noruega, Holanda, Finlândia, Suécia, Suíça e Dinamarca.

Basicamente o que funciona para tornar o ambiente menos corrupto é: transparência nos atos de governo, fortalecimento dos órgãos de controle, apoio às ações de fiscalização (apoiar a Lava Jato é fundamental) e maior participação popular na fiscalização. Deu certo nesses países e pode dar aqui.

Bom não esquecer que somos um país extremamente jovem, com muito caminho a percorrer. Enquanto nossos índios ainda eram antropófagos na Europa já existia catedrais com mais de 3 séculos.

Podemos encerrar com um sopro de esperança. Operações policiais como a Lava Jato e seus filhotes têm alterado um pouco da sensação que tínhamos de impunidade total. Hoje, a sensação é de que qualquer cidadão pode ser preso. Cadeia com figuras como José Dirceu, Palocci, Cunha, Cabral, Odebrecht, Eike Batista... reforçam a sensação de que justiça pode acontecer. Isso é um processo pedagógico que vai ter efeitos positivos sim. Cujo resultado poderá ser medido nas eleições de 2018.

Se alguém se interessar pelo tema, sugiro conferir o "Relatório corrupção: custos econômicos e propostas de combate da Fiesp".

Lúcio Dutra é empresário

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