Jundiaqui
Jundiaqui

Curtir a amizade

Jundiaqui
12 de junho de 2017
José Renato Nalini escreve sobre similaridade, mutualida­de, igualdade, reciprocidade, benevolência e conhecimento

Amigo é coisa pra se guardar do lado esquer­do do peito! É o que diz a música e a gente acredita. Amigo ajuda a multiplicar as alegrias e a subtrair as tristezas. Triste é aquele que não tem amigos!

As sete facetas da amizade, segundo Martha El­len Stortz, são a escolha, a similaridade, a mutualida­de, a igualdade, a reciprocidade, a benevolência e o conhecimento.

Reflitamos sobre cada uma delas.

Escolha significa seleção. Os amigos escolhem-se uns aos outros. É melhor não ter amigos a ter amigos ruins, e a capacidade de escolha não é inata. Vamos aprendendo aos poucos acolher aqueles que servem para ser nossos amigos, e também sabendo não nos entristecer quando eles nos decepcionam. Pois não somos infalíveis em nos­sas escolhas. Há dolorosas experiências experimentadas por quem não acertou.

Similaridade é o fato de os amigos terem cer­tas coisas em comum. Às vezes frequentaram a mes­ma escola, apreciam a mesma comida, interessam-se pelo mesmo esporte. “Pássaros de igual plumagem” costuma-se dizer em sociologia. Andam aos grupos. Há certa identidade de gostos que congrega o grupo de amizades.

Mutualidade é a regra da troca de coisas comuns. Amigos partilham crenças, concepções, pré-compreen­sões. Têm uma visão comum, estabelecem metas e com­promissos intercambiáveis.

Igualdade representa a identidade em status e em potencialidades. Sabe-se que somos todos irrepetí­veis, heterogêneos e não existe alguém idêntico a ou­trem. Nem mesmo os gêmeos univitelinos. Todavia, para ser amigo é preciso ignorar eventuais diferenças. A amizade tem de situar os amigos no mesmo plano.

Reciprocidade é a circunstância de os amigos darem e receberem numa igualdade de condições. Não pode haver uma dependência de um amigo em relação ao outro. Se eu não consigo retribuir, na verdade não sou amigo. Nada obstante, essa retribuição não repre­senta uma balança de exatidão que avalie, material­mente, cada prestação em relação a outra. A aferição da reciprocidade está subordinada a várias situações e circunstâncias, que só a prática poderá aquilatar.

Benevolência é o dom de amar pelo que o amigo é e não pelo que se gostaria que ele fosse. A amizade é gratuita. Não pode haver interesse por qualquer be­nefício utilitário.

Por fim, o conhecimento é a vontade de se co­nhecer cada vez melhor.

Curtir a amizade é gostar de estar junto, de procurar o amigo, de se aproximar e de partilhar alegrias, mas também angústias, preocu­pações e tristezas.

Só que tais características não precisam ser le­vadas tão a sério que nos impeçam de conservar os amigos que já estão no interior de nosso afeto e de procurar adquirir outros que possam adentrar. Pois a escolha pressupõe a exclusão. Se escolhermos alguns, excluiremos outros. E a prática demonstra que uma amizade exclusiva e possessiva se torna menos au­têntica. Ao contrário: a amizade autêntica promove o amor inclusivo e universal.

As amizades íntimas podem degenerar em ini­mizades capitais. Exatamente aquilo que acarreta sus­peição no mundo judicializado em que estamos imer­sos. Por isso é que um pouco de privacidade precisa ser cultivado em todos os relacionamentos.

Ao longo da vida, vamos colecionando pessoas que surgem, permanecem durante um tempo e depois desaparecem. É comum ter os mesmos amigos duran­te décadas? Por incrível que parecer possa, ainda é. E há pessoas das quais nos aproximamos que, mal co­nhecemos, detecta-se aquela empatia que nos permite chamá-las de “amigos de infância”.

Paulo Bomfim, o Príncipe dos Poetas Brasileiros, diz que esses exemplares são “reconhecidos”. Por algum efeito misterioso, guardam identidade em alguns recantos d’alma e passam a pertencer ao rol dos queridíssimos.
Ter amigos é bom, fazer amigos é melhor, curtir os amigos não é fácil. Pois amizade é para todas as horas. Para as alegres, que não são tantas e para as tristes, que são muitas.

A amizade é o laço de família escolhido. Às vezes temos parentes com os quais não temos qualquer familiaridade. Por isso é que, em relação aos amigos, não podemos errar. Afinal, são o resultado de nossa escolha pessoal.

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Jundiaqui
Você vai
gostar de

Diário de bordo parte 1

Como um museu pode mudar radicalmente uma cidade, conta Cláudia Bergamasco

Cadê nossa identidade?!

Por Marcel Capretz

Foi só promessa mesmo. Ministro nega mudanças para Grendacc

Verci Bútalo se reuniu com Ricardo Barros e ouvi que não haverá dinheiro do SUS

Estreia do bloco do Sombra ficou para novembro

Plano inicial era fazer um Carnaval em pleno inverno no Parque da Uva, mas…
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.