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Enem: qual profissão escolher?

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1 de novembro de 2017
Por Nelio Fernando Reis 

Mais de 6 milhões de estudantes devem comparecer em 2017 para prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Mas, muitos estudantes ainda têm dúvidas sobre qual profissão escolher para terem uma “vida boa”. Para dirimir essas dúvidas, encontramos respostas estudando a causa primeira dos problemas da vida. Aristóteles afirma que vida boa é aquela que se vive com excelência em si mesmo. Jesus ensina que o amor ao próximo é a melhor escolha. Spinoza acredita na potência do agir como opção correta. Rousseau indica que a liberdade é o fundamental. Essas incertezas pairam sobre o Enem que é o segundo maior exame nacional do mundo.

O nosso exame só perde para o “Enem Chinês”, Gaokao, que tem participação anual de quase 10 milhões de estudantes, segundo dados chineses. Nos EUA o SAT (Scholastic Aptitude Test) é um dos mais famosos e seleciona estudantes para universidades americanas. Ocorre seis vezes no ano. Mais de 1 milhão de estudantes se inscrevem todo ano. Na França, o estudante precisa ser aprovado no Baccalaureát, ou Bac, para entrar em universidade, que é aplicado em dois momentos durante o ensino médio, no final do segundo e do terceiro ano. Semelhante ao Sisu (Sistema de Seleção Unificada) do MEC, após aprovação no Bac, os alunos precisam se inscrever no portal do Admisson Post Bac. No Chile, os estudantes precisam fazer o PSU (Prova de Seleção Unificada). Assim como Enem, é anual e mais de 250 mil se inscrevem todo ano.

De acordo com os dados divulgados pelo MEC, o curso de Medicina em 2016 e o de Administração em 2015 foram os que apresentaram as maiores concorrências no processo seletivo do Sisu. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), através do último estudo SIS (Síntese de Indicadores Sociais – 2015), afirma que a média salarial do brasileiro gira em torno dos R$ 1.725,00 enquanto que a média em Medicina e Administração é de R$ 8. 966,07 e R$ 8.012,10, respectivamente, tornando-se as duas profissões mais bem pagas do país. A concorrência para esses dois cursos girou em torno de 72 e 42 candidatos por vaga, respectivamente. Medicina oferta menos vagas que Administração, embora este tenha mais candidatos por ano. Talvez esses dados reforcem a ideia de Aristóteles, filósofo grego, que diz: “o mérito está na excelência em si mesmo”. Diz ainda que o mérito não está na ação, mas sim no hábito. Somos o que repetidamente fazemos. Descubra qual o seu talento e invista todo esforço que puder nesta concorrência e poderá ser recompensado.

Educação Física, Direito e Pedagogia também seguem como os mais concorridos do Sisu em 2016 com 53, 47 e 34 candidatos por vaga, respectivamente. Segundo os mesmos dados do IBGE a média salarial de Direito é de R$ R$ 7.540,79. Onde está a sociedade, ali está o direito. Estar vocacionado a defender a regulação das relações sociais é fundamental para essa profissão. Já os educadores não estão entre os mais bem pagos do Brasil. Reforçando os ensinamentos de Jesus, cristo redentor, que afirma: “vida boa é aquela que se vive por amor ao próximo”. É um sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra.  Lançar-se contra as dificuldades, de maneira desinteressada no vil metal, para fazer com que outra pessoa possa viver plenamente as aventuras da vida. Essa é a vocação e a realidade a qual os educadores estão inseridos. Contudo, o país poderia dar um reconhecimento mais decente para esse profissional, a fim de lhe fornecer mais potência para agir.

Potência de agir é o que prega Spinoza, filósofo holandês, que diz “não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela. Mas, por a querer que a julgamos boa”. Engenharia Civil, Agronomia, Ciências Biológicas, Ciências Contábeis e Matemática completam a lista dos 10 cursos mais concorridos do Sisu em 2016. Destas, somente engenharia está enquadrada entre as profissões mais bem pagas, na média, no Brasil. Aproximadamente R$ 7 mil. Ao julgar como vida boa aquela que você quis, você se sente alegre. Querer é poder. Contudo, Spinoza lembra: “a alegria não é o prêmio da virtude, mas a própria virtude”. Sendo todas as outras coisas iguais, o desejo que nasce da alegria é mais forte que o desejo que nasce da tristeza.

Ser alegre é uma questão de liberdade de escolha na qual Rousseau, filósofo francês, afirma: “o homem nasceu livre e por toda parte vive acorrentado”. O Brasil tinha 8 milhões de estudantes matriculados no ensino superior em 2016, segundo censo da educação. Das 2.407 instituições de educação superior brasileiras, 87,7% (2.111) são privadas e 13,3% são públicas (4,45% federais; 5,11% estaduais, e 2,74% municipais). Em 2016, quase 3 milhões de alunos ingressaram em cursos superiores de graduação. Desse total, 82,3% ingressaram em instituições privadas (2,45 milhões) e 17,7% na pública. A rede pública concentra a maior parte de professores com título de doutor e que trabalham em tempo integral. Esses fatores geram mais qualidade. Contudo, a pouca quantidade de vagas disponíveis em instituições públicas acorrenta a liberdade de escolha. Força muitas vezes o estudante a escolher o curso mais barato, que cabe no bolso, cujo chamado vocacional não lhe apetece.

Enfim, os ensinamentos de Aristóteles dizem que a educação tem raízes muitas vezes amarga, mas os seus frutos podem ser considerados doces. Jesus Cristo é um exemplo de vida e devemos observar sua escritura no que diz respeito a conselhos ruins que podem acabar com um dia, um ano ou uma vida inteira. Amar o que faz é o maior sinal de que encontrou a profissão correta. Tenha fé e esperança. Mas, como nos orienta Spinoza, sabendo que não há esperança sem medo, nem medo sem esperança. Rousseau acreditava que a natureza faz o homem feliz e bom, mas a sociedade o torna triste. Todos esses expoentes nos encaminham para felicidade. Cabe a você aproveitar todos os momentos, como se fosse o último. Seja feliz!

Nelio Fernando Reis é doutor em engenharia de produção
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