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Juízo, a Terra é frágil!

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18 de novembro de 2017
Por José Renato Nalini

Talvez por ser neto de imigrante, que deixou a Itália por falta de perspectivas e por carência de terras, tenho a ecologia no meu DNA. Sou ambientalista convicto, procuro proteger a natureza na limitação de minhas possibilidades, mas nunca cessei na pregação de alerta para que o maltrato se reduza.

Como um dos idealizadoras e primeiros integrantes da Câmara Especial do Meio Ambiente, depois batizada Câmara Reservada ao Meio Ambiente, sempre fui contra as queimadas de palha de cana-de-açúcar. Nunca me convenci de que essa praxe fosse inofensiva. Estive em locais afetados e o cenário é aterrador. Sustentei com paixão a vedação de tal costume, repeli o argumento de que sempre foi assim, desde a “coivara” dos índios e perdi muitas batalhas. Indignado ao constatar que doutrinadores do ambiente, quando contratados a defender os incendiários, renegavam suas posições e encontravam elementos para afirmar que aquele era um caso peculiar.

Indignei-me quando em acórdão o relator chegou a se utilizar de metáfora de discutível gosto: a fuligem da queimada representava “as borboletas do progresso” para o agronegócio… Enfim, a verdade é poliédrica e cada qual consegue enxergar na mesma questão um foco nem sempre perscrutável pelo olhar do outro.

Reconheço que a cana-de-açúcar está no Brasil desde 1530, trazida por Martin Afonso de Souza e que hoje o Brasil é o maior produtor do mundo e o primeiro fornecedor de açúcar, com 22% da oferta mundial. É o segundo em etanol, com 25% do mercado. A previsão da safra 2017/2018 é de 585 milhões de toneladas, apenas na região Centro-Sul, de acordo com informações da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar – Unica. O parque industrial conta com 382 usinas, sendo 302 situadas na região Centro-Sul, e gera 1 milhão de empregos diretos em 30% dos municípios brasileiros.

A biomassa ocupa a terceira posição na matriz elétrica do Brasil, com 11.189 MW e de acordo com o Plano Decenal de Energia – PDE 2024, do Ministério de Minas e Energia, o potencial técnico de geração anual para a rede pela biomassa de cana pode alcançar duas usinas de Itaipu, com 165 TWh/ano até 2024, ou seja, 24% do consumo nacional.

Sei também que da cana tudo se aproveita: etanol, açúcar, energia, cachaça, caldo de cana, rapadura. Os subprodutos também são reutilizados, como a palha da cana, usada na técnica do plantio direto, que protege o solo e aumenta a produtividade do canavial. Mas também produz energia elétrica, papel higiênico, bioplástico e outros itens. A vinhaça é destinada à adubação e fertirrigação, pois tem concentração de nutrientes.

Todavia, não penso que seja saudável eliminar a policultura, vocação natural do Estado de São Paulo, para transformar nosso Estado em imenso canavial. Apenas separado por presídios, o que me levou a escrever há alguns anos, o artigo “Cana & Cana”, para evidenciar uma realidade preocupante.

Espero que o agronegócio tenha juízo para não deixar de respeitar a natureza, tão pródiga e tão maltratada. O mundo emite sinais eloquentes de fratura ambiental. Não é impossível manter a canavicultura e a reserva florestal. Esta é um patrimônio que não merece destruição.

Espero que a preocupação ecológica mereça cada vez maior espaço na categoria e que as notícias veiculadas no jornal do Engenheiro Agrônomo, sob o título “Santa Cana – Do Passado Colonial ao Futuro Sustentável” sejam sinal de fortalecimento dessa consciência. Pois afirma-se que 97,5% da área de cana de São Paulo está livre de queimada. As emissões de gases de efeito estufa evitadas já equivalem ao que teria sido emitido por cerca de 162 mil ônibus circulando durante um ano. Enquanto na safra de 2007/2008 havia 753 colhedoras, hoje o setor sucroenergético possui 3.747 colhedoras. 60% das usinas signatárias do Protocolo Agroambiental possuem programas de restauração florestal de seus fornecedores de cana.

É saudável que a nova geração de profissionais, com especialização adquirida nos mais modernos centros de formação, tenham noção de que a Terra é frágil e de que nada adianta exauri-la com uma agricultura agressiva, para amanhã não poder dela extrair riqueza, sobrevivência e vida digna.

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo
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