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O que você vai fazer na velhice?

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5 de março de 2018
Por Karina de Lima Flauzino

É muito provável que você passará a maior parte da sua vida na fase da velhice. As pesquisas já indicam: a média de expectativa de vida já alcança os 75,8 anos para os nascidos em 2016 e aumenta gradativamente a cada ano. Ou seja, se tudo ocorrer conforme planejado, é possível que vivenciemos a longevidade como centenários.

Você já pensou sobre isso? As pessoas não estão acostumadas a pensar e realizar metas em longo prazo para todos os domínios da vida, seja por estabilidade financeira, melhores condições de saúde ou bem-estar na família. Até mesmo por conta de nossa sociedade consumista e imediatista em que as atualizações e mudanças podem acontecer a qualquer tempo. Então, pensar em metas que serão desenvolvidas na velhice parece distante demais.

Quando perguntamos a uma pessoa jovem ou de meia-idade: “como você quer viver a velhice?” Geralmente, a resposta envolve expectativas positivas, o “chegar lá” significa com saúde, qualidade de vida, sem dependência, tomando decisões sobre a própria vida. Mas o que se tem feito para viver os 60, 70, 80, 90 anos (e mais!) nestas condições?

Sabemos que o processo de envelhecimento é o resultado de mudanças genéticas universais e de eventos que acontecem de acordo com o meio em que vivemos ou o que fazemos. Desta forma, vale a pena uma reflexão, afinal iremos “colher no futuro o que plantamos no passado”.

Se você se imagina viver a velhice viajando, conhecendo lugares que nunca teve tempo e oportunidade de estar anteriormente, como está sua vida financeira? Como está a sua saúde para aproveitar ao máximo deste momento? Se você imagina que viverá em sua própria casa, mesmo estando sozinho (ou sozinha), a sua casa está adaptada para as limitações físicas que poderão ocorrer? Conseguiria se locomover mesmo utilizando um dispositivo de auxílio, uma bengala ou cadeira de rodas?

São perguntas que para muitos estão longe de serem refletidas. Não precisamos esperar completar 60 anos para pensar o que faremos com os anos a mais. Contudo, as pessoas começam a despertar o interesse para a organização de metas e projetos de vida quando acontecem eventos marcadores - como, por exemplo, a aposentadoria ou a saída dos filhos de casa.

A grande vantagem de planejar como viveremos no futuro é que teremos tempo para nos prepararmos financeiramente, fisicamente, socialmente e, principalmente, emocionalmente para esta certeza.

Mas afinal o que são metas de vida na perspectiva da velhice? São objetivos significativos, aqueles que as pessoas acreditam e reúnem esforços para a concretização. Tais metas orientam as tomadas de decisão, o processo de avaliação, o planejamento de vida e o próprio curso de vida. Para os idosos a visão de futuro com investimentos pessoais e propósitos está mais atrelada à autorrealização, ao self e ao contato geral com as pessoas.

Mesmo na fase da velhice as metas e projetos de vida se modificam diante de realizações e fracassos, a partir disso, novos propósitos são organizados. Com o envelhecimento obtemos uma autorregulação emocional muito mais favorável, podendo lidar melhor com o sucesso e dificuldades.

Expectativas positivas, motivação e senso de significado pessoal são indicadores de uma boa qualidade de vida na velhice. À medida que as pessoas envelhecem há maior consciência do seu tempo, por isso passam a priorizar metas que sejam emocionalmente significativas.

Com o estabelecimento de novos projetos cria-se um novo cenário de vida. E aí, você já está se preparando para isto?

FONTE: 

IBGE. Expectativa de Vida do Brasileiro sobe para 75,8 anos. Agência IBGE notícias. 2017.

FREIRE, NERI. Metas de vida e investimentos pessoais na perspectiva de Jovens, Adultos e Idosos. In: FALCÃO, ARAÚJO (Orgs.). Psicologia do Envelhecimento. Coleção Velhice e Sociedade. Ed. Alínea. 2009.

Karina de Lima Flauzino é bacharelada em Gerontologia pela USP e coordena o CELETI – Centro de Educação, Lazer e Entretenimento para a Terceira Idade em Jundiaí.


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