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Os dois terços de nossas vidas

Jundiaqui
21 de agosto de 2017
Por Wagner Ligabó



O que faz duas pessoas passarem dois terços de suas vidas juntos? Está aí uma pergunta difícil.

Identificação, empatia, necessidade, admiração, dependência, parceria, acalanto, desejo, carinho? Todos os itens justificam.

Mas e os dissabores? Tristezas, decepções, falhas, desatenção, momentos de ira, desilusão, lágrimas, inconformismos? Todos os itens desabonam.
Fica então a pergunta: o que nos une por tanto tempo?

Como se justificativa em não desistir, perseverar ante a adversidade e resplandecer quando exposto aos raios de sol, cabe o exemplo do bambuzal, que, ao envergar até o chão ante a furiosa tormenta, não quebra. Resiste corajosamente. É seu instinto. Tem a certeza que a serenidade irá retornar.

Harmonizará em paz com seu habitat.

A resposta para um elo de tanto tempo lado a lado não se enquadra num simples acomodar-se insosso e sem motivação que o passar dos anos de convivência normalmente induz. Não. A justificativa para se estar junto de fato é a mesma da tenacidade do bambuzal que, com sua persistência, vence qualquer situação adversa à sua natureza. É necessário e intuitivo, algo inexplicável. É dependência. É metade que fecha o todo. E esta força que a tudo supera tem nome e condensa-se em substantivo e adjetivo, duas certeiras palavras: amor verdadeiro.

Amor verdadeiro à vida, amor verdadeiro ao próximo, amor verdadeiro às coisas simples, amor verdadeiro em ter fé inabalável, amor a quem se ama no real sentido do que significa amar verdadeiramente. É a identidade do bem querer que não pede licença ou perdão . Algo que não se detalha e que transpõe qualquer intolerância.

Neste 21 de agosto, minha mulher, a Gê, companheira de jornada desde nossa juventude com 20 anos, completa 64 primaveras. Sempre em agosto ela se iguala à minha idade por justos três meses (em novembro completo 65) só para mostrar que, mesmo por pouco tempo, somos reflexos um do outro, diferentes, porém iguais. E que o tempo é o mesmo para nós dois.

Somos nosso próprio tempo. Juntos há 44 anos já passamos por tudo nesta vida. E daqui seis dias completaremos 40 anos de união, bodas de esmeralda de um verde reluzente como a esperança que nos anima viver. Vencemos.

Gê, minha querida: felicidades, saúde, harmonia e vida. Amar faz bem a nós dois. Beijo carinhoso de quem tanto te quer e admira. Obrigado pela infinita compreensão e cuidado. A vida merece ser assim...

Wagner Ligabó é médico cardiologista e vereador
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