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Os inconfidentes

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21 de abril de 2018
Por Guaraci Alvarenga

A Inconfidência Mineira foi um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil. Significou a luta do povo brasileiro pela liberdade, contra a opressão do governo português no período colonial. Ocorreu em Minas Gerais no ano de 1789, em pleno ciclo do ouro. Todos os inconfidentes foram presos, enviados para a capital (Rio de Janeiro) e acusados pelo crime de infidelidade ao rei. Alguns inconfidentes ganharam como punição o degredo para a África e outros uma pena de prisão. Porém, Tiradentes, após assumir a liderança do movimento, foi condenado à forca em praça pública.

Embora fracassada, podemos considerar a Inconfidência Mineira como um exemplo valoroso da luta dos brasileiros pela independência, pela liberdade e contra um governo que tratava sua colônia com violência, autoritarismo, ganância e falta de respeito.

O exemplo do brasileiro Tiradentes ao se rebelar contra os usurpadores da Pátria, no passado, por mais que não se deseje um ponto de semelhança, há de se comparar com o desarranjo social, politico, econômico e institucional marcados pela profunda desigualdade de que passa nosso país.

Como no dizer de Fernão Lara Mesquita, em seu editorial no Estado : “A espoliada Eletrobras, dona de Furnas, a Petrobras, coletivamente espoliada, as nomeações para 'empregos' eternos nas encruzilhadas por onde fluem os dinheiros mais grossos da República, os auxílios-auto governáveis, as aposentadorias 36 por 1 e o resto dos privilégios que ampliam a metástase o favelão nacional e definem a nossa medieval sociedade de castas”. Pense.

Nos dias atuais, tenho para comigo, nos meus 70 anos de idade, que o brasileiro juiz federal Sergio Moro seja o nosso novo inconfidente dos tempos atuais, um novo Tiradentes. Como em um conto chinês, foi preparado longe da mentalidade feudal, aristocrática que prevaleceu no Brasil, sempre privilegiando aos que exercem suas funções no patamar mais alto do serviço público.

Cidadãos são cidadãos, iguais entre si onde quer que estejam. Assim vejo o humilde juiz Sergio Moro praticar sua sabedoria em razão dos escândalos surgidos, em consonância com a indignação cívica, com os abusos do serviço público. Abre um extraordinário canal de contenção dos abusos do poder e do uso de bens e vantagens do Estado em benéfico pessoal, mais que isso, clama à rotineira vigilância da sociedade sobre a burocracia estatal.

Esperamos que os nossos Poderes Judiciário, Executivo e o Legislativo se comprometam também com os nossos sentimentos mudos e queixas silenciosas e possam acender a luz da esperança em todos os corações brasileiros. Não coloquem mais uma cabeça a prêmio. Vamos aguardar para festejar o feriado de 21 de abril.

Guaraci Alvarenga é advogado
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