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Jundiaqui

4 de agosto de 2017

Quanto custa manter Temer

Por José Arnaldo de Oliveira

Quanto custa manter Temer? Desde meados de 2013, quando os protestos iniciados com as tarifas de ônibus e ampliados para aspectos como os custos da Copa do Mundo e das Olimpíadas desembocaram depois nos escândalos de bilhões da Lava Jato, os brasileiros passaram a serem divididos entre esquerda e direita, petralha e coxinha e assim por diante.

Mas, quatro anos depois, estão unidos pelo menos na desaprovação acima de 80% ao governo Michel Temer. Não deve ser suficiente para seu afastamento para ser investigado, mesmo com indícios de crime de corrupção passiva na conversa gravada com o empresário Joesley Batista.

Mesmo que para o mercado financeiro, ligado ao ex-banqueiro e ministro Henrique Meireles, não se altere praticamente nada se for substituído pelo deputado Rodrigo Maia. O que alguns chamam de “golpe parlamentar” do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, sem entrar no mérito da crise econômica em que ela colocou o país, criou de fato uma espécie de semiparlamentarismo (sem os meios de controle da comunidade sobre os parlamentares), onde verbas, cargos e favores extrapolaram os limites anteriores.

De acordo com os levantamentos, o aumento de imposto dos combustíveis acaba sendo absorvido por esse sistema sem voltar, por exemplo, para os serviços de saúde. O custo maior, entretanto, está no atendimento da base ruralista, armamentista e religiosa (BBB) que atualmente é maioria no Congresso.

Mesmo sem contar as reformas principais, estão sendo atingidos avanços conquistados em setores como meio ambiente, povos indígenas, quilombolas e muitos outros.

Os políticos citados em denúncias somam centenas de nomes, dos mais diversos partidos. Os casos expostos não envolvem mais milhões, mas bilhões.

O custo para se manter não apenas Temer, mas o sistema político atual, pesa sobre todos os brasileiros. Se uma reforma geral e equilibrada é difícil, sua necessidade é completa.

Os americanos possuem uma expressão para a situação de Temer. Chama-se “pato manco”, quando um presidente não conta mais com maioria no Congresso. Mas a versão brasileira é ainda pior, com um presidente controlado pelo Congresso e ambos sem credibilidade da população.

O custo, em qualquer decisão tomada diante do caso, é elevado para os brasileiros. Principalmente em esperança, sonhos e racionalidade, que são exatamente as bases para que possam novamente superar essa fase.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista e cientista político

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