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Quem não muda, dança!

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27 de novembro de 2017
Por José Renato Nalini

Os tempos exigem coragem. Tudo sofre mutação profunda. Quem se deixar levar será expelido da engrenagem. É preciso agarrar-se às oportunidades e fazer valer o protagonismo, tão urgente quanto imprescindível.

A educação é o terreno mais fértil à experimentação da ousadia. A eficácia das práticas pedagógicas está em questão. A juventude não se conforma com as aulas prelecionais, o ambiente escolar enfileirado, as disciplinas compartimentadas e sem vínculo concreto com a vida.

Muita coisa boa já acontece, por iniciativa desses heróis que são os professores. Eles se reinventam, debatem metodologias para facilitar o aprendizado, chegam a desenvolver materiais didáticos e a elaborar políticas de preservação do entusiasmo em período de adversidade.

Uma tendência irreversível é o ensino direcionado à inovação tecnológica. Muitos acordaram para a realidade de que é necessário preparar o aluno para o novo mundo global com suas necessidades também globais. Economias compartilhadas, responsabilidade ecológica, compartilhamento de informações, filtro para deixar de lado o que não agrega conhecimento útil.

Os desafios do amanhã são gigantescos. Há modelos pioneiros que merecem análise. A Natan Alterman Middle and High School de Tel Aviv, conhecida como Tichonet, foi a escola que em 2012 se tornou a primeira instituição de ensino a abolir livros, cadernos, lápis e canetas. Os mais de mil alunos anotam e leem nos mobiles e se comunicam entre si e com os mestres por via eletrônica. O conteúdo das lições fica armazenado nas redes e pode ser consultado a qualquer momento e de forma permanente. E é uma escola gratuita, mantida pela Prefeitura de Tel Aviv.

A sua grade de ensino incluí aulas teóricas e práticas de computação e robótica. Os alunos se entusiasmaram tanto que a escola ganhou em 2015 o Makers Anonymous – MA, uma equipe de robótica patrocinada pela IBM. Durante o aprendizado, os alunos são desafiados a criarem soluções inovadoras.

Outro bom exemplo é a Beta School, de Petah Tikva, também em Israel. Ali se mantém um centro de treinamento de professores mantido pela Prefeitura local, com o apoio do Ministério da Educação e da Microsoft. Desenvolve-se um trabalho de integração entre o enfoque pedagógico e as ferramentas da Microsoft, como os serviços na nuvem do Office 365. Isso também ocorre na União Europeia, em Bruxelas, onde funciona o Future Classroom Lab, iniciativa da European Schoolnet. Nessa iniciativa ocorrem propostas de reorganização de salas de aula e outras áreas de aprendizagem para otimizar mudanças pedagógicas e nos métodos de ensino. Propiciam-se espaços específicos para criação, interação, apresentação, investigação, partilha e desenvolvimento.

A tecnopedagogia não pode ser dispensada e o Brasil tem experiências exitosas de abnegados docentes que, por conta própria e por amor à sua vocação, intensificam o seu compromisso com o melhor ensino e aprendizado.

Compreender que o amanhã tão próximo reclama profissionais que dominem programação, elaboração de softwares, proficiência na tecnologia 3D, realidade aumentada, robótica, inteligência artificial, outras dimensões e a celeridade com que a ciência e a tecnologia nos atropelam, é essencial para não privar as novas gerações de um futuro digno e de uma sobrevivência compatível com os nossos sonhos. Já não há espaço para a inércia. A era digital é caracterizada pelo fantasma da obsolescência: é o monstro que morde nossos calcanhares se nos detivermos na caminhada que não admite titubeios.

Quem já acordou para isso recobra ânimo, fé e esperança para recobrar a marcha e para mostrar que o ser humano consegue superar dificuldades e aplainar agruras rumo à perfectibilidade que é a vocação natural da espécie.

Em síntese: os tempos são de mudança urgente. E, para nos servir do palavreado daqueles que são os destinatários de nossos esforços, mudança significa algo muito simples de se traduzir: quem não muda, … dança!

José Renato Nalini é secretário da Educação do Estado de São Paulo
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