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República da ineficiência. Até quando?

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11 de novembro de 2017
Por Nelio Fernando dos Reis


Há pouco o que comemorar neste 128º aniversário da proclamação da República. O Brasil está caminhando para o rumo errado. Precisamos de quatro brasileiros para produzir o mesmo que um americano. Essa medida de eficiência é a razão entre tudo o que se produz no país (PIB) e o número de trabalhadores com o qual o setor produtivo pode contar. Temos uma mão-de-obra menos qualificada e menos educada. Necessitamos de mais inovação. A produtividade brasileira é baixa, infelizmente.

O brasileiro ainda é menos produtivo do que o alemão, o francês, o sul-coreano, o chileno, o russo e o argentino. Brasileiro não gosta de trabalhar? Pode até não gostar, mas trabalha demais. A jornada média no Brasil é de 40,9 horas semanais, contra 38h na Alemanha e 35h na França.

Trabalhamos mais do que em países desenvolvidos. E não é de hoje. Desde a década de 1930, os EUA e a Europa Ocidental aprovaram leis fixando jornada de trabalho semanal em 40h. No Brasil a jornada de 48h, além de 12h extras autorizadas foi até 1988, quando a nova constituição alterou para 44h semanais. Contudo, ainda hoje 1 a cada 5 brasileiros vai além das 48h por semana.

Se trabalhamos mais, por que produzimos menos? Explicação simples. Nossa economia está baseada em processos produtivos ultrapassados e em setores ineficientes. A solução não é cortar direitos dos trabalhadores, mas sim investir no capital humano.

A nossa mão-de-obra estuda em média 7 anos, sem completar o ensino fundamental. Aumentar um ano na média leva quase dez anos. A maior média de escolaridade do mundo é dos EUA. São 13 anos. Segundo relatório de desenvolvimento humano das Nações Unidas (Pnud), na Argentina a média é de 10 anos e no Uruguai é de 9 anos. No caso de comparação com os Brics, o Brasil também fica atrás de Rússia e África do Sul com 12 e 10 anos, respectivamente.

A média de treinamento para qualificação que um americano recebe é de 140 horas ao ano. No Brasil, não passamos de 30 horas por ano, segundo dados da Fundação Dom Cabral. Não é culpa do trabalhador. O Brasil se acomodou com fortes ganhos de vendas em commodities e não investiu em novas formas de produzir. Aumento de eficiência depende de inovação.

Em estudo que avalia o grau de inovação, produzido pelo fórum econômico mundial, o Brasil está na 100ª posição no levantamento realizado com 128 países. Estamos ficando para trás. A falta de novos equipamentos e máquinas faz com que o país não seja capaz de competir numa economia global. A proporção de investimentos em inovação, em relação ao PIB, comparada com a de outros países nos coloca em desvantagem. Precisamos avançar muito. Coréia do Sul, EUA, Alemanha e França investem na inovação 2,8% do seu PIB, em média. Enquanto que o Brasil desembolsa parcos 1,3%. A República brasileira precisa ter um entendimento claro de que a inovação é fundamental para aumentar nossa eficiência.

Além disso, a baixa eficiência é composta por fatores institucionais e excesso de distorções. O ambiente de negócio brasileiro está entre os piores do mundo. Agências reguladoras ao sabor de políticos, burocracia associada a corrupção, estrutura tributária complexa, constantes barreiras comerciais, amplo uso de tecnologias estrangeiras, falta de proteção aos direitos de propriedade e falta de segurança jurídica nos mercados e preços compõem a lista de problemas que precisam de soluções urgentes. Sob pena de nosso posto de trabalho ficar cada vez mais precário. Some-se a isso a quantidade de empresas beneficiadas por créditos subsidiados. Subtraem recursos do Estado. Muitas vezes em setores nos quais somos poucos competitivos ou não temos o conhecimento adequado.

Enfim, o resultado é uma concentração enorme de mão-de-obra mal remunerada, em empresas pouco eficientes e em setores pouco competitivos. É sabido que muitos países estão se especializando em serviços tecnologicamente sofisticados. Geram mais riquezas. Se continuarmos assim, dificilmente teremos aumento da produtividade. A distância em relação aos países mais desenvolvidos aumentará. O orçamento do Estado será a única fonte de recursos para os cidadãos e para as empresas. A baixa eficiência produtiva faz com que “poucos tenham muito e muitos tenham pouco”. Desculpe o clichê. Sem riqueza, a pobreza aumentará. Continuaremos conhecidos como a República da ineficiência. Até quando?

Nelio Fernando dos Reis é doutor em engenharia de produção e líder de grupo de pesquisa no CNPq sobre sistemas de apoio à decisão com lógica aplicada





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