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Solidão: desafio da longevidade

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1 de fevereiro de 2018
Karina de Lima Flauzino

Nos dias de hoje a solidão é considerada uma epidemia oculta, ainda pouco investigada por profissionais e de grande influência na qualidade de vida das pessoas.

A experiência da solidão pode acometer pessoas de qualquer faixa etária, mas os idosos são mais propensos a serem solitários, pois a fase da velhice é marcada por transformações e marcadores, podendo a solidão ser vivenciada nas situações de finitude, na perda de familiares e amigos, no afastamento da rotina do trabalho, nas mudanças na imagem corporal, na perda da independência e entre outras.

A presença de familiares é considerada um fator de proteção para o sentimento da solidão em idosos, no entanto, é possível que os idosos estejam se sentindo solitários mesmo residindo com suas próprias famílias.

Em uma pesquisa realizada no Centro de Referência de Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal Fluminense, dos 85% dos idosos entrevistados que não moravam sozinhos, 24% declararam se sentirem solitários, e deste total 88% não saem de casa ou participam de grupos.

Os dados refletem outra preocupação: os idosos que residem sozinhos, distantes dos vínculos afetivos e emocionais. A solidão pode estar relacionada ao luto, abandono, depressão e isolamento social, sendo inclusive fator de risco para doenças crônicas.

Neste sentido, a solidão é um dos temas centrais na discussão da longevidade. Apesar das grandes transformações na comunicação, a facilidade da tecnologia impõe seus desafios: de um lado tem-se a proximidade de contato, por outro a presença física está cada vez mais distante, e nada a substitui. Com famílias cada vez mais nucleadas, com um filho ou nenhum, as pessoas terão que buscar novas alternativas de ampliar suas relações, não deixando espaço para a solidão.

Os estudos já comprovam que a participação em grupos de convivência favorece a saúde e a melhora na qualidade de vida, por meio de atividades educacionais, sociais ou culturais. A participação em grupos gera uma ajuda mútua entre os membros e a experiência da amizade pode resultar consequências positivas, relações mais significativas e satisfatórias. O mais importante é a qualidade das relações que se tem com as pessoas, sendo membros familiares ou não.

Considerando a solidão como uma questão de saúde pública, o Reino Unido criou uma ação inédita no início deste ano: o Ministério da Solidão, com o intuito de efetivar ações preventivas para acolher idosos vulneráveis à depressão e ao suicídio. No país, são 09 milhões de pessoas acometidas pela epidemia oculta, sendo que o debate sobre a solidão já vem ocorrendo há algum tempo. A ação britânica da primeira ministra Theresa May também alertou o mundo sobre os fatores de risco ou desencadeantes do suicídio em idosos, sendo a solidão um deles.

No Brasil, o crescente número de idosos somados à população total a cada ano também impulsionará o debate sobre o tema, e sobre tantos outros relacionados ao envelhecimento. As iniciativas políticas de prevenção ao isolamento e de incentivo ao engajamento social ainda são incipientes e deverão ser fortalecidas pelos órgãos públicos e iniciativas privadas. Os sentimentos de tristeza e de solidão relatados pelos idosos não devem ser ignorados, merecem atenção dos familiares e profissionais.

FONTE:
LOPES, R.F. LOPES, M.T. CÂMARA, V.D. Entendendo a solidão do idoso. RBCEH, Passo Fundo, v. 6, n. 3, p. 373-381, set./dez. 2009.
CARMONA, C.F. COUTO, V.V.D. SCORSOLINI-COMIN, F. A experiência de solidão e a rede de apoio social de idosas. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 19, n. 4 p. 681-691, out./dez. 2014.

Karina de Lima Flauzino é bacharelada em Gerontologia pela USP e coordena o CELETI – Centro de Educação, Lazer e Entretenimento para a Terceira Idade em Jundiaí.
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