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Torre da Cica deveria marcar Parque Linear do Rio Guapeva

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19 de janeiro de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

A ofensiva do marketing do Pátio Nova Cica, anunciado como novo centro comercial de Jundiaí dentro da área da antiga Cica mesmo iniciando obras de demolição antes de sua aprovação no Conselho Municipal do Patrimônio (Compac), ainda pode ser corrigida a tempo de valorizar o patrimônio histórico local e também parte do patrimônio ambiental, tudo visto na ótica do Parque Linear do Rio Guapeva.

Embora seja a maior bacia hídrica urbana do município, a bacia do rio Guapeva somente foi reconhecida como tal na recente versão participativa do Plano Diretor, na lei 8.683. Parte de suas nascentes na borda da Serra do Japi foram cercadas pelo megacondomínio Alphaville sem maiores compensações (outra parte chega da região do Santa Gertrudes, passando pela zona militar), mas em seu percurso estão a restaurada Ponte Torta e o trecho conservado pela Vila Argos, onde em apenas um dia foram identificadas mais de 17 espécies de aves no verão. Do lado direito da correnteza desse rio, dentro do terreno da Cica, também era possível há pouco tempo avistar pela rua São Luiz uma enorme área verde.

Não que esses elementos tenham sido ignorados no projeto do novo centro comercial. A torre do relógio, restaurada há pouco tempo pelo arquiteto Eduardo Carlos Pereira, é parte da identidade visual desenvolvida pelo escritório JLM, assim como a passagem interna pela área do rio Guapeva. O resumo dado como definição do projeto na recente ofensiva de marketing da ABL SAN, que busca comprovar definitivamente ser detentora da área, é “charme moderno em um marco histórico à beira do rio”.

Mas a cidade não pode depender somente da visão particular. São 30 mil metros quadrados no total, mas que fazem parte de um conjunto da bacia do rio Guapeva que marca regiões da Terra Nova, da Vila Rami, da Vila Arens, do Jardim Cica, do Vianelo, da Vila Argos e até da Vila de Vito, onde ocorre sua foz no rio Jundiaí. Qual é a visão urbana equilibrada dessa grande área? Em outras palavras, precisamos ter em vista a relação da cidade com seus rios e esse é um caso arquetípico. A base ambiental, afinal, é o alicerce onde construídos a base urbana. É interessante que um investimento desse tamanho use um conceito de “lifestyle” onde um marco da história industrial (e operária) da cidade seja valorizado em sua atualização de mercado. Mas há questões paralelas, como a geração de tráfego, a tendência de gentrificação do entorno e o aspecto de integração com a visão ambiental e urbana dessa bacia hídrica.

Além da torre que era desde a década de 1940 uma referência (inclusive natalina), também o casarão dos Bonfiglioli e Messina (que também marcam parte da história imobiliária na cidade) ainda está por lá. Não por menos, a divulgação do projeto tem até latas da massa de tomate Elefante, onde o personagem deu origem à carreira de Maurício de Souza – o “pai” da Turma da Mônica.

O acerto de estudos de contrapartidas para impacto de vizinhança (e até de impacto ambiental) nesse projeto, por parte do poder público da cidade, é vital para uma visão de Parque Linear do Rio Guapeva, se vai ter ciclovias, se vai ter decks suspensos, se vai ter uma redescoberta do rio.

Com a palavra, as nossas autoridades. Mas com a informação à comunidade. Boa sorte, Jundiaí.
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