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Tradição ignóbil

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24 de fevereiro de 2018
Por José Renato Nalini

Não foi só o Rio de Janeiro que enfrentou problemas com governadores despóticos no século XVII. Cinco anos depois da “Revolta da Cachaça”, contra o governador carioca Sá e Benevides, quem enfrentou sublevação foi o governador de Pernambuco, Jerônimo de Mendonça Furtado. Chegou a ser preso pelos conspiradores, integrantes da elite proprietária de terras e devolvido a Lisboa.

Qual o motivo? A relação de reclamações contra Mendonça Furtado era consistente. Ele executava dívidas como se estivesse na Roma Antiga, em que o próprio corpo do devedor respondia por sua insolvência. Sequestrava bens e era seletivo na atuação pública: protegia alguns devedores e perseguia outros. Não respeitava as imunidades eclesiásticas. Prendia e soltava pessoas a seu bel prazer. Tudo em troca de propina.

Dizia-se que ele se apropriava de parte da receita devida à Coroa e chegava a emitir moeda, falsificando dinheiro em seu próprio palácio. Era tão desprezado pelo povo que ganhou o apelido de “Xumbergas”. O verbete significava alguém que azucrina o próximo e também aquele que se notabiliza pelos excessos.

Ele não foi o único. Para as autoras de “Brasil: uma biografia”, Lilia Schwarcz e Heloísa Starling, ele “fez parte de uma linhagem de governantes locais prepotentes, corruptos e venais, que se aproveitavam da investidura régia para enriquecer depressa, em geral de forma ilícita”.

Na belíssima oratória de Padre António Vieira, que os conhecia bem, a cobiça desses governantes era sem remédio e punha em risco a estabilidade do domínio português na América: “Esta é a causa original das doenças do Brasil: tomar o alheio, cobiças, interesses, ganhos e conveniências particulares por onde a Justiça se não guarda e o Estado se perde”, bradava Vieira do púlpito.

E concluía: “Perde-se o Brasil (digamo-lo em uma palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem: vêm cá buscar nossos bens”.

Ainda bem que hoje tudo mudou…. Seja como for, somos todos responsáveis. Incumbe ao povo eleger – e este ano poderá mostrar se aprendeu de fato – gente honesta para cuidar honestamente de nossos interesses.

José Renato Nalini é secretário estadual de Educação e docente da Uninove
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