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Um dia para a mata atlântica, nossa casa

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14 de maio de 2018
Por José Arnaldo de Oliveira

O próximo dia 27 de maio, um domingo, é o Dia Nacional da Mata Atlântica. A data costuma passar batida pelo foco na Semana do Meio Ambiente pouco depois, no início de junho. Mas deveria ser mais valorizada porque mais de 120 milhões de brasileiros vivem na área de seus ecossistemas originais, desde florestas e campos até mangues e restingas.

É o caso de boa parte das cidades paulistas, em parte também com áreas do Cerrado. E em Jundiaí com uma história linda de mobilizações que salvaram um bom trecho da Serra do Japi a partir da passeata ecológica que reuniu milhares de moradores em 1978, muito antes da internet, há quarenta anos.

Fizemos seleção natural ao contrário nesses 400 anos, sempre cortando as árvores mais altas e deixando a genética das mais baixas para a multiplicação. Usamos madeiras nativas nas caldeiras dos trens antes de plantarmos eucaliptos até chegarmos à eletricidade, depois abandonada para a queima de fósseis. Arriscamos tornar as áreas restantes em ilhas isoladas por rodovias, loteamentos e prédios.

Mas também fomos percebendo que a mata atlântica (e também o cerrado) nos garante a água. Depois, que ajuda o clima. E ainda, diante das informações sobre extinção de espécies, que nos oferece a vida de centenas de pássaros, de anfíbios como os sapinhos pingo-de-ouro, de animais aquáticos, de mamíferos, de grandes e pequenos felinos e primatas, de répteis como os lagartos e de insetos como borboletas ou vespas do mel. E até de inacreditáveis bichos-cascas. Isso sem falar das flores, folhas, galhos, cipós, sons do vento.

Temos hoje ainda a serra, os bairros rurais, as paisagens vistas de alguns pontos elevados, trechos de águas com matas ciliares em partes baixas, os parques, as árvores de rua. A tecnologia, entretanto, avançou a tal ponto que qualquer lugar antes inacessível hoje pode ser transformado do dia para a noite. E alguns, tanto ricos como pobres, sempre acham isso muito lucrativo sem os devidos cuidados. .

Porém cada vez mais gente tem ficado atenta para a herança natural, que alguns chamam também de Mãe Terra. Restam apenas em torno de 12,5% desse bioma no Brasil, mas conciliar progresso e natureza tem sido cada vez mais uma aspiração de grande parte das pessoas.

As possibilidades existem. Temos passeios monitorados (Reserva Biológica). Temos promessas de pagamento de serviços ambientais (Projeto Nascentes). Temos rotas turísticas (Terra Nova, Caxambu, Traviú, Castanho). Temos fazendas de visitação (Conceição, Montanhas, Guaxinduva, Japiapé, Sítio do Sol). Temos entidades voltadas para a vida silvestre (Mata Ciliar). Temos pesquisa científica (Unicamp, Instituto Agronômico, Jardim Botânico). Temos viveiro público de mudas (Unidam). Temos instrumentos legais (Plano Diretor). Temos projetos muito bonitos (Sítio Cambucá, Almater, Jundiaí Orgânicos). E assim por diante. Falta apenas termos inspiração, bom senso e criatividade para uma economia mais verde, que pede desafios – como menos muros.
Algo para inspirar é a seleção de canções para curtir o outono (ouça) e o vídeo da campanha criada pela SOS Mata Atlântica.
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