Jundiaqui
Jundiaqui

Uma necessária Era Criativa em Jundiaí

Jundiaqui
29 de agosto de 2017
Por José Arnaldo de Oliveira

Em plena crise de retrocessos no peso escravocrata e patrimonialista da história do país, crescem na cidade os sinais de busca de uma renovação da dinâmica socioeconômica. Ainda são correntes paralelas, mas com grande potencial de convergência.

Por um lado, nas discussões do governo municipal, vemos o avanço de uma avaliação onde o parque tecnológico parece um horizonte mais distante e sendo substituído ou complementado a médio prazo pelo foco em 2030 e no surgimento de polos de estímulo a empreendimentos novos, os chamados start-ups.

Por outro lado, o campo da economia criativa teve em poucos dias importantes eventos no Sesc e no Senac que trouxeram informações importantes sobre essa área que há vinte anos forma um eixo de políticas públicas em países desenvolvidos. Mas que em terras brasileiras abrange desde a inovação tecnológica até a redescoberta das “artesanias”.

Como tudo na vida, essa é uma discussão política mesmo não sendo exatamente partidária. A crise econômica aumenta a disputa por recursos escassos e a cidade apresenta queda por alguns anos no percentual de valor adicionado de impostos estaduais. Grupos econômicos com influência no modelo vigente, como a indústria ou a construção, seguem com peso.

Mas também fazem parte do campo onde ocorrem esses debates, que é abrangente. Vai desde a criação nos games e em pesquisas industriais até a música, os quadrinhos ou o cinema, passando pela arquitetura, pela moda, pela gastronomia, pelo artesanato, pelo patrimônio cultural, pelo design ou pelo turismo.

Em princípio, não deveria haver dúvida sobre a busca de inovação, inclusão e sustentabilidade, podendo renovar tradições.

Nesse sentido, também poderia ser óbvio que Jundiaí tenha polos de estímulo associados a algumas de suas marcas coletivas (“city brands”) como a Serra do Japi, com um campus de ecologia, a Terra da Uva, com um campus de agronomia, ou a Jundiahy 400 Anos, com um campus de patrimônio material e imaterial.

Sabe-se que estão sendo pensados pelo menos uma dúzia desses polos, alguns associados à educação como no pedido de recursos feito ao orçamento estadual para um campus dessa área junto ao Complexo Argos, à inclusão esportiva associada aos projetos no Bolão ou mesmo na área da saúde, junto às pesquisas da Faculdade de Medicina. Uma primeira lista oficial deve ser conhecida no projeto do PPA 2018-2021, que chega à Câmara nesta semana.

O movimento pela economia criativa, entretanto, não pode ficar restrito ao campo estatal – e não pode ser confundido com o lado negativo do jeitinho brasileiro. Trata-se de buscar um novo meio de enxergar as coisas, inclusive o ciclo de produção, distribuição, consumo e fruição de seus elementos hoje menos comerciais.

Isso já existe na cidade, desde a modelista de roupas até os profissionais de biotecnologia. O problema é que perdemos boa parte de grandes profissionais, desde artistas até especialistas tecnológicos, enquanto não desenvolvemos meios de aproveitar melhor outros, como inventores e mestres populares.

Esse novo equilíbrio ainda tem assimetrias entre segmentos com mais ou menos viabilidade empresarial ou social, dentro da velha e da nova economia. Um recente alerta em coluna de Pedro Luiz Passos (Natura) chama a atenção para as grandes tendências de mudança global resumidas no acrônimo MADE (Mobility, Automated Driving, Digital Experience e Eletrification), que podem tornar coisas como o petróleo algo ultrapassado em poucos anos.

Já o filósofo Eduardo Gianetti nos lembra, no livro Trópicos Utópicos, que custos deixados de lado como o tempo da viagem entre moradia e trabalho ou uma destruição ambiental precisam ser criticados no uso do PIB.

Ao falarmos de economia criativa, sem perder de vista suas potencialidades transformadoras, não devemos esquecer que como na economia convencional ela segue dentro de uma realidade ainda complexa.

Aumentar os espaços de diálogo e de empoderamento da comunidade para essa nova fase é um desafio para toda a sociedade.

José Arnaldo de Oliveira é jornalista e sociólogo
Jundiaqui
Você vai
gostar de

Seis artistas da região e duas argentinas expõem no Sesc

“Não Há Perguntas Para Todas as Respostas” tem abertura à tarde neste sábado

A visão de Vera Gonçalves do Desfile de 7 de Setembro

JundiAqui te leva pra avenida Prefeito Luiz Latorre em giro fotográfico

Flash back da banda Transport no Estrela da Ponte

Show é na noite deste sábado, com som que te leva de volta aos anos 80

De Paralamas a Alok, passando por Belo, veja o que vem por aí

Cidade vai receber também Cláudio Nucci, Raça Negra e Capital Inicial 
Jundiaqui
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.