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Desastre da natureza: no caminho do Harvey

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28 de agosto de 2017
Lucinha Andrade Gomes escreve dos Estados Unidos e fala sobre o medo que passou em Houston

Quando fui embarcar, em São Paulo, perguntei no check-in se havia informações de problemas meteorológicos em Houston, minha conexão para New Orleans. Devia ter ficado quieta... Me garantiram que não, que o Harvey não chegaria ali. Previsão equivocada, pois na noite deste domingo (27) tive muito medo ao ver a água que parecia querer inundar o hotel, em uma rua navegada por pequenos barcos que faziam assistência às pessoas desabrigadas por esse tormento da natureza.

Agora com as coisas um pouco mais calmas, conto essa minha aventura pelas terras (encharcadas) do Tio Sam...

Eu e Claudio chegamos em Houston as 5 de lá matina e enfrentamos as longas filas para estrangeiros no aeroporto. As perguntas são sempre as mesmas: quanto tempo? Negócios? Turismo? Etc etc etc. Às 8 horas já estávamos dentro de outro avião, quando começou a chover e a piorar a situação. A aeronave pequena nem saiu do chão e já começou a balançar com os ventos. Voo cancelado! Saímos da aeronave e a triste notícia se repetindo de voos cancelados - três nosso no mesmo dia!

As filas nos balcões de suporte aos passageiros da United Airllines eram infinitas! Mudei de terminal e consegui um atendimento sem fila, mas sem solução. Todos os voos cancelados, pedi mudança para o dia seguinte às 9 horas, que também seria cancelado...

Telefono para-a United e busco apoio para hotel, sem sucesso. É importante frisar que por aqui, em casos como desta tempestade tropical, a companhia aérea não se responsabiliza por acomodações, refeições ou outras necessidades dos passageiros. Por conta própria e ajuda do telefone, consigo uma reserva por uma noite e procuro táxi onde todos querem um.

Aqui vale um parênteses: sem fluência na língua inglesa, estaríamos perdidos numa situação dessa. Aliás, nossas malas estão perdidas, o que não me preocupa tanto, porque assim não temos peso para levar! Na minha mochila já trouxe duas peças de roupas para eventualidades...

No hotel, caminhamos ao Jack para engordar com um lanche típico burguer, nada gourmet! E ficamos à espera de tempos melhores, assistindo TV. É assustador ver o desastre que o Harvey provocou nas cidades vizinhas.



Fim da tarde, descemos e perguntei qual era o shopping mais próximo e a resposta foi: "entramos em estado de alerta por conta do tornado!"

Conseguimos ir ao mercado comprar lanche, vinho e água e voltamos ao hotel. A cidade sofreu uma catástrofe.

Da janela assistimos a água subir a todo instante. A diária do hotel venceu, mas vão estender para todos, já que por aqui todo mundo aguarda um voo. A sensação é a mais forte convicção de que somos frágeis e vulneráveis frente à natureza!

Confesso que à noite tive muito medo, pois a água parecia querer inundar o hotel. Ficamos em alerta para evacuar o hotel. Tinha medo de dormir e não ouvir o alarme e ficar esquecida aqui, já que todos estão apreensivos. Tive receio de como o Claudio iria subir em um barco ou em caminhão de bombeiro por conta do problema no joelho. Rezamos muito juntos!

Nesta segunda (28) a chuva acalmou e a água fluiu, levando embora o risco de inundar o hotel. Eu retomei minha calma. Graças a Deus o hotel tem café da manhã e as pessoas estão bem humoradas. Aproveito para comer bastante, pois o futuro ainda é incerto. Algumas pessoas nadaram até o mercado, mas temos receio - nossos 20 anos ficaram lá para trás.

Voltamos para o quarto que graças a Deus é enorme, com uma sala e banheiro. Há poucos funcionários, então eu arrumo a cama lindamente e levo o lixo do banheiro. Falta um spray do Clube da Lady para perfumar o ambiente (rs).

Assistimos TV e minha família americana ligou duas vezes. Seguimos barrados no Texas - o que era uma conexão rápida virou uma saga recheada de salgadinhos! Ainda não sabemos quando iremos sair daqui...



Estou impotente, mas bem acompanhada! Exercício importante neste momento é ter calma, ter fé, agradecer por ter um teto e aguardar. Enquanto isso, vou praticando o inglês com os hóspedes e na imaginação estamos na Church Street ouvindo jazz. Salve, Louis Armstrong!

Lucia Helena Andrade Gomes é advogada e presidente do Clube da Lady 

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