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Mais um dia de medo por conta do Harvey

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29 de agosto de 2017
Por Lucinha Andrade Gomes

Estamos aguardando outra inundação nesta terça-feira (29) em Houston, no Texas, onde ficamos ilhados por conta do Harvey. É o alerta na TV, que vocês também estão acompanhando aí no Brasil. Inacreditável encarar essa tempestade ao vivo e o que posso dizer é que nunca poderia imaginar uma vivência em uma situação destas. Mas eu e o Cláudio estamos encarando. Afinal, só de estar vivo e com saúde já é suficiente para sorrir!

Seguimos no hotel, que fica próximo de casas submersas e cercado por e rodovias alagadas. Ouvimos que grandes represas correm o risco de transbordar no estado do Texas. Aqui em Houston, mais de 3,5 mil pessoas foram resgatadas até agora e o nível das chuvas vai batendo um recorde atrás de outro.



Pela manhã, sob a porta, encontrei um bilhete com aviso que não teremos serviços de housekeeping. Minha primeira ação foi arrumar o quarto, tirar o lixo, trocar as toalhas etc. Ah!, como eu gostaria de um spray ambiente, aquele delicioso que a Patrícia Nivoloni prepara!

Tudo arrumado, descemos para o café. Os hóspedes estão todos familiarizados com os rostos e a cumplicidade de estarmos no mesmo barco! Noto que alguns levam para os quartos pães e geleias para estocar. Hoje não havia omelete, os ovos acabaram. Mas quem precisa de omelete em um momento deste?

Cumprimento os funcionários e troco impressões com alguns hóspedes. A angústia está estampada no rosto de alguns. Outros estão realmente amargurados, mas a maioria enfrenta com tranquilidade o isolamento.

Nesta manhã o hotel recebeu uma equipe que vai trabalhar no hospital perto daqui, que ocupa um total de 20 apartamentos. Um grupo de turistas japoneses aguarda no lobby uma vaga, mas quem irá sair nestas condições e abrir espaço para mais gente?

Fui questionada: - Vocês vão ficar? Pensei em responder: - Não, vamos a Miami tomar sol (kikiki). Claro que não brinquei com assunto sério! Desde menina aprendi que não se deve fazer piada em solo internacional, a interpretação cultural pode ser avessa a sua intenção inicial. Fica a dica.

Não usamos mais o elevador e descobrimos uma academia. E tem a piscina, viva! Fico surpresa com a minha capacidade de entusiasmo inicial,  mas logo lembrei-me que não tenho roupa para trocar.

Nossos sentimentos parecem estar em uma gangorra, gozado isso. A alegria de ver a academia agora foi trocada pela tristeza. Afinal a catástrofe continua aqui em Houston e choro ao assistir as notícias. Vidas construídas são levadas pelo vento e pela chuva.

É certo que aqui não está um cenário tão devastador como aquele que se viu por conta do Katrina, pois Houston é uma cidade com maior potencial econômico e portanto tem melhor estrutura do que New Orleans, mas ainda assim é assustador o poder de revolta da natureza.

Os oficiais de polícia e membros de equipes de salvamento vão a televisão e enfatizam que as pessoas devem ligar e pedir ajuda se estiverem em risco, independente de religião ou nacionalidade. É uma campanha direcionada especialmente aos imigrantes ilegais, para que não tenham medo de telefonar. Garantem que nem a ajuda humanitária nem nenhum oficial, neste momento, se preocupam com a imigração. A ordem é, sim, salvar vidas!

Contei aqui no JundiAqui (confira) que as nossas malas tinham sumido. Mas já soubemos que estão em New Orleans, que é o destino que ainda queremos chegar. Quando? Só Deus sabe... E a curiosidade: nós ficamos barrados no Texas, mas as malas já foram para Chicago, de lá a New Orleans e irão voltar para Chicago! Quem sabe elas me contem algo a respeito da cidade que inspira e transpira jazz ou as aventuras de Tom Sawyer no Mississipi River.

Neste isolamento, pensei em como é difícil viver sem liberdade de ir e vir, garantida constitucionalmente. Não podemos sair para comprar necessidades básicas, apenas lanches no Jack aqui ao lado. Caminhar no bairro, algo tão simples, não podemos fazer sob o risco de não conseguirmos voltar! A tempestade não manda aviso prévio...

Assim, resta imersão para praticar inglês, refletir a vida e amar!



O principal é manter o equilíbrio emocional e o bom humor: por falar em humor, alguém tem uma dica caseira para secar roupa mais rápido ou transformar refrigerante em espumante?

Lucia Helena Andrade Gomes é advogada e presidente do Clube da Lady

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