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Tudo revirado, mas sol dá as caras em Houston e cria esperança

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30 de agosto de 2017
Por Lucinha Andrade Gomes



O confinamento prossegue! Nesta quarta-feira (30), um raio de sol iluminou o nosso quarto. Não quero ser piegas, mas fiquei emocionada e feliz: a lua do sol desperta esperança de término destes dias literalmente nebulosos aqui em Houston, no Texas, por conta da tempestade tropical Harvey.

Tentamos um táxi para ir ao aeroporto sentir o clima por lá, mas não há serviços disponíveis e o Uber garante a ida mas não a volta. Tivemos receio de sair do hotel e não conseguirmos voltar. A previsão que nos passam por telefone é de que poderemos, enfim, voar nesta quinta-feira (31). Oremos!

A visita do presidente Donald Trump com a bela Ivana usando saltos altos deixou-me, no mínimo, constrangida - acho que vocês que viram na TV aí também devem ter pensado algumas coisas a respeito...

Os hóspedes estão cada dia mais próximos e brincam com a gente com um "lá vem o casal de brasileiros".

A recepcionista liga no quarto e pergunta: - Sra Gomes pretende continuar a estadia? E eu, calmamente, respondo: - Deixe me pensar se irei para o Hawai ou o Rio? Ok, vou ficar! Ela ri, pois sabe que estamos presos a este hotel, com simpáticos funcionários e hóspedes americanos, mexicanos, indianos, equipes de hospital e das companhias aéreas.

O cenário da cidade de Houston é preocupante é a solidariedade dos americanos é grande! Os desabrigados sendo recebidos em diferentes espaços, como igrejas, com roupas secas. Até os bichos de estimação são tratados com o maior carinho! Uma senhor com seu cão no colo chorava e agarrado a ele dizia em espanhol para a repórter da TV:- Só tenho o meu cachorro para me dar forças e prosseguir!

É uma situação lúgubre e não há respostas para as perguntas: - Por que estou passando por isso? Ou por que coisas ruins acontecem às pessoas boas? (título de um livro)

A verdade é que somos viajantes nesta grande odisseia chamada vida e, em alguns episódios somos convidados a vivenciar situações atípicas e dolorosas. Não temos o livre arbítrio de escolher outra rota, somos levados a ela para, creio eu, algum aprendizado interior.

Assim, vamos em frente, com um olhar prospectivo e com fé, pois segundo Gilberto Gil "a fé não costuma falhar".



Ainda não consegui transformar refri em espumante, mas conseguimos comprar uma cervejinha e, creiam, um perfume pequeno da Calvin Klein! Amenidades que tornam a realidade mais colorida! Viva a vida!

Em tempo: que saudades da liberdade! Minha família americana liga duas vezes ao dia para me animar. Ela é de Michigan, onde fiz highschool em 1973. Desistimos de tentar ir para New Orleans, está tudo inundado por lá. Vamos subir a Chicago, onde estão nossas malas, e então rumar para Michigan, onde me esperam. Pelo menos é isso que esperemos!



Lucia Helena Andrade Gomes é professora e presidente do Clube da Lady

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