Pequenos que são grandes milagres, com a ajuda da Medicina
Emoção marca o Dia da Prematuridade na Sobam, com relatos de mães que sofreram e hoje veem os filhos crescer
Edu Cerioni
Quando a ingestão de 1 ml de leite é uma vitória, um degrau que se sobe em nome da vida, é preciso comemorar. E foi isso que fizeram aqueles que encaram a luta diária na UTI Neonatal do Hospital Pitangueiras.
O Dia da Prematuridade, nesta sexta-feira (17), uniu em solidariedade e motivação pais e mães com seus bebês ou ainda sem eles (que seguem internados) e a equipe médica do Grupo Sobam na Unidade de Pediatria, reunião acompanhada com exclusividade pelo JundiAqui. E sobrou emoção…
Com depoimentos de médicos e mães, o que mais se ouviu foi a palavra milagre. De Deus, sim. E também da Medicina.
Em um país em que um de cada dez bebês é prematuro, o dobro do que se vê na Europa, por exemplo, a Sobam vem conseguindo ajudar com que muitos casais realizem o sonho de ter filhos. “Temos em nossas mãos o mais importante de tudo, a vida dos bebês, por isso é preciso fazer a diferença com tecnologia e recursos humanos”, contou o dr Elzo Garcia Junior, coordenador da UTI Neonatal. E completou: “Ninguém consegue nada sozinho.”

Dr Elzo e os outros profissionais que o acompanham, como enfermeiros, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e de farmacêutica foram chamados por algumas mães de “anjos”. Foi o caso de Letícia Santana, que hoje se diverte com as duas filhas de quatro anos, normais e brincalhonas.
Letícia contou sua história para ajudar a acalmar e a incentivar outras mães que ainda têm os bebês na UTI. “Até 24 semanas, tudo ia bem. Mas veio um sangramento, problemas e com 27 semanas tive a Alice e a Giovana, que nasceu com mais complicações. Foram dias em que ficaram entubadas, horas e horas de desespero, mas sem nunca perder a confiança. 1 ml de leite era uma vitória e depois de 92 dias nessa montanha-russa, com altos e baixos, pude ir para casa com minhas filhas. Hoje tenho dois milagres em casa, graças a esses anjos disfarçados de médicos e enfermeiras”.
Um prematuro requer cuidados especiais até completar dois anos de vida. É considerado prematuro quem nasce antes de a gestação completar 37 semanas, sendo os extremos aqueles que nascem antes de 30 semanas – um bebê maduro vem a partir de 39 semanas e até 40 semanas e 6 dias.
Dr Elzo conta que a prematuridade extrema não chega a 1% na Sobam, “o que é muito legal”, como diz, muito disso por conta do trabalho de pré-natal.
Em um universo de cerca de 120 mil conveniados, a Sobam faz 200 partos mensais. “Temos não só a UTI Neonatal, mas uma unidade específica para depois fazer o acompanhamento. Mesmo após a fase aguda, é trabalhoso. Você tem que identificar intercorrências rápido e agir. Com isso, é raro perdermos bebê aqui e também é muito baixa a reinternação”, comemora o dr Mauro Brescancini, coordenador da Pediatria.
Aline e Paulo Sérgio Roularte foram com as filhas Laís e Larissa no Dia da Prematuridade. As meninas estão agora com sete meses e bem. Nasceram com 32 semanas e ficaram 94 dias na UTI. “Só por Deus”, disse a mãe quando perguntada sobre o que passou. Larissa nasceu com 850 gramas e Laís, com 1.400. “Quando nós desanimávamos, sempre vinha alguém nos puxar pra cima. Era Deus no comando dessas pessoas”, disse ela.
O menor bebê que nasceu na Sobam até hoje tinha 22 semanas e pesava 470 gramas. “Hoje está grandão e toca sua vida”, diz o dr Elzo.
Entre os depoimentos, foi marcante o de Ellen Gomes, a última a deixar a UTI Neonatal e que perdeu um dos gêmeos. Théo morreu com três dias e Lorenzo está há um mês em casa, isso depois de semanas na UTI. “Planejamos tanto, mas vejo como vontade de Deus. A equipe me deu muita força para superar a dor e peguei amor em todos. O Lorenzo é uma bênção”.
A festa marcou ainda o lançamento da Caderneta de Saúde da Criança, criação da agência Laser Press.
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O dr Elzo fala que os motivos para o bebê nascer prematuro são muitos e diz que a ocorrência vem aumentando por conta da fertilização in vitro – com até quadrigêmeos -, em razão de complicações como a hipertensão ou ainda por serem mães adolescentes ou maduras, com mais de 40 anos.
Ele dá dicas para as futuras mamães: antes de engravidar, procure orientações. Depois, siga rigorosamente o pré-natal, faça exercícios indicados, mantenha uma alimentação saudável, não fume e não consuma bebida alcoólica. E vai além: o marido pode ajudar acompanhando a grávida no pré-natal e tendo ele também uma vida saudável.
A dra Gilzélia Almeida, diretora médica da Sobam, lembra que o grupo tem certificado de excelência pela assistência de alto nível para os prematuros, unindo tecnologia e recursos humanos. “Os fundadores têm esse compromisso de cuidados centrados no paciente e nossos valores são passados a todos os novos colaboradores também. Nós cuidamos bem de quem cuida das vidas aqui dentro”.
O tratamento humanizado oferece acesso aos pais 24 horas na UTI Neonatal, incentivando as mães para que façam o aleitamento. A Sobam tem parceria com o Bando de Leite. Também promove a chamada mãe canguru – fica em contato pele a pele o máximo de tempo possível, para que o bebê ganhe peso e tenha menos risco de infecção. Na UTI tem três momentos de silêncio, com menos luzes, sem barulho para que haja um descanso maior, entre outras ações.
A primeira UTI Neonatal do Brasil surgiu nos anos 70 e desde então são muitos os milagres que se vê…
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Fotos: Edu Cerioni
