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Anjos, eu e outros poemas

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18 de dezembro de 2017
Por Valquíria Malagoli

“O homem por sobre quem caiu a praga/ Da tristeza do Mundo, o homem que é triste/ Para todos os séculos existe/ E nunca mais o seu pesar se apaga!/ Não crê em nada, pois, nada há que traga/ Consolo à Mágoa, a que só ele assiste. / Quer resistir, e quanto mais resiste / Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga./ Sabe que sofre, mas o que não sabe/ É que essa mágoa infinda assim, não cabe/ Na sua vida, é que essa mágoa infinda/ Transpõe a vida do seu corpo inerme; / E quando esse homem se transforma em verme/ É essa mágoa que o acompanha ainda!”. (Augusto dos Anjos, que, em vida, declarou-se "cantor da poesia de tudo que é morto").

Hoje, eu levaria comigo poucas tristezas, entre as quais a de não ter conhecido a Grécia. Bem que eu queria ter me sentido ínfima uma vez na vida. Ter à frente ruínas maiores do que as do meu íntimo.

Todavia sigo sendo essa gigante! Sigo caindo para cima, nessa descomunal queda livre para dentro de meu ser e para o alto dos meus sonhos...

Hoje, eu levaria com certeza, também, a infelicidade de andorinha alguma jamais ter feito ninho em meus ouvidos. Poxa!, como eu adoraria ouvir seus pios sobrepondo-se ao ruídos do trânsito, inclusive o aéreo, que entram pela janela! Preferiria escutar sua algazarra soando mais forte e mais insistente do que as vozes das serras elétricas enveredando-se mato adentro e erguendo florestas de concreto.

Sentiria falta disso. Dessas coisas abstratas. Sentiria um tipo de arrependimento de não ter tido para com esses tolos objetivos mais força de propósito. De não tê-los construído com as areias dos meus desejos.

De resto, estou em paz comigo e com as coisas.

Só não me gabo do mesmo com relação às pessoas. Estar em paz com essas criaturas tão adversas e diversas é pedir demais a qualquer um dos meus eus.

Seja como for, enquanto viva eu estiver, tentarei acordar e encontrar acordo com quantas possa. Sei, entretanto, que a maioria prosseguirá escolhendo, no entendimento como no desentendimento comigo, dando a entender-se a parte mais fraca; a parte sofrida; a parte sentida; a parte esquecida; a parte partida enfim.

Fazer o quê?

Eu? Eu sigo dançando, sorrindo, sorrindo e dançando. Não porque pretenda parecer ou fingir-me forte. Apenas porque tento de fato ser.

Não sou. Porém, tentá-lo, sinto, é também um tipo de força.

Sigo arcando com as consequências dessa luta. Arcando com o julgamento de quem não suporta ver gente – de fato – tentando ser feliz.

Seguirei, besta que sou!, bestamente, monstruosamente...

Não ostentarei, postando em redes sociais, sorrisos de orelha a orelha, a menos que sejam de fato retrato dalguma alegria.

E seguirei alegre pela alegria alheia quando essa houver. E penalizada e solidária para com a alegria forjada de quem a forje. Afinal, nos atuais dias, ninguém tem culpa de querer aparentar beleza.

Esse mundo é cruel e essa sociedade é julgadora. A gente às vezes fraqueja mesmo e pensa que mentindo conquistará uma verdadezinha de mentirinha.

Sei que meus sorrisos não durarão pra sempre.

Sei que se transfigurarão, e verterão dos olhos, liquefazendo-se, porque a alegria, à semelhança de tudo nessa vida, é passageira.

Sei que vou chorar. Quem não chora? Dizem que chorar lava a alma.

Se lava não sei. Sei que ser triste é muito chato. E que não sonhar é um pesadelo.

Valquíria Malagoli é poetisa e escritora

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