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Autêntica paixão

Jundiaqui
6 de julho de 2018
Por Valquíria Malagoli

“Deus lá no céu, ouvindo/ um dia,/ essa harmonia,/ – a canção/ do meu sertão,/ do meu sertão primaveril,/ disse aos arcanjos/ que era o Hino da Poesia,/ e também a ave-maria/ da grandeza do Brasil.”.

“Pois só nas noites do sertão de lua plena,/ quando a lua é uma açucena,/ é uma flor primaveril,/ é que o Poeta, descantando/ a noite inteira,/ vê na Lua Brasileira, toda a alma do Brasil.”.

Estes versos, feitos especialmente para encerrar a apresentação em solenidades comemorativas da Pátria, integram o célebre poema “Luar do Sertão”, divinamente musicado por João Pernambuco. Pouco conhecidas, devido à sua não inserção nas inúmeras gravações da obra, tais estrofes somam-se a outras que também são pelo mesmo motivo estranhas ao grande público.

O autor nasceu em 08 de outubro de 1863, em São Luiz do Maranhão, onde viveu até os dez anos de idade. Depois, seguiu para o agreste sertão cearense, e, aos dezessete, foi com a família para o Rio de Janeiro.
“Com gramática ou sem gramática, sou um grande Poeta.”.

Autodidata, adquiriu praticamente sozinho, após ter-lhe a mãe ensinado as primeiras letras, seus conhecimentos de português, matemática e francês, traduzindo, inclusive, poetas franceses. Da mesma forma, aprendeu a tocar violão, introduzindo e “moralizando” o instrumento, à época, em salões nobres. “Aprendi música, como aprendi a fazer versos, naturalmente”.

Faleceu em 10 de maio de 1946, aos 83 anos. Seu corpo, embalsamado, ficou até o dia 13 de maio, exposto à visitação popular, e foi sepultado ao som da canção que o consagrou.

A rua onde morou, recebeu mais tarde o seu nome, Catulo da Paixão Cearense. Justa homenagem àquele que ali viveu modestamente, numa casinhola, um barraco de madeira cujas paredes eram lençóis. Naquele seu recanto, no meio do mato, recebia de admiradores a escritores estrangeiros com a mesma cerimônia, ditando à cabocla: “Lave as paredes amanhã, que domingo vem gente!”.

Novos tempos...

E tantos são os nomes, desde os consagrados a novéis desconhecidos, no movimentado universo da Poesia, que sempre vale a dica para recordar ou conhecer gente desse quilate de singeleza e versatilidade.

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa

 
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