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Livre trajetória

Jundiaqui
3 de março de 2019
Por Valquíria Malagoli

“Ainda tem o seu perfume pela casa/ Ainda tem você na sala/ Porque meu coração dispara/ Quando tem o seu cheiro/ Dentro de um livro/ Na cinza das horas”.

Manuel Bandeira (1886-1968) buscou climas propícios desde 1904, quando soube que estava tuberculoso.

A perspectiva da morte permeia sua obra: “Quando a Indesejada das gentes chegar/ (Não sei se dura ou caroável),/ Talvez eu tenha medo./ Talvez sorria, ou diga:/ – Alô, iniludível!/ O meu dia foi bom, pode a noite descer./ (A noite com seus sortilégios.)/ Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,/ A mesa posta,/ Com cada coisa em seu lugar.”.

Segundo Davi Arrigucci Jr., importante crítico do autor, sua poesia: “tem início no momento em que sua vida, mal saída da adolescência, se quebra pela manifestação da tuberculose, doença então fatal. O rapaz que só fazia versos por divertimento ou brincadeira, de repente, diante do ócio obrigatório, do sentimento de vazio e tédio, começa a fazê-los por necessidade, por fatalidade, em resposta à circunstância terrível e inevitável”.

Dois anos antes de falecer, Bandeira declarou: “Tive de parar os estudos por causa da doença. Não estudei cálculo infinitesimal ou integral e isso me impediu de ler muitas coisas, inclusive a teoria de Einstein. Nas horas de ócio da doença, não me apliquei ao estudo de grego e latim, iniciados no Colégio Pedro II. Isso é quase tudo o que não fiz. E, naturalmente, sinto pelos amores frustrados por causa da doença”.

Mário de Andrade, porém, pelo que ele fez, chamou-o de “São João Batista do Modernismo”, ele que, mesmo não participando diretamente da Semana de 22, teve seu poema “Os Sapos” lido durante o evento marco do movimento no Brasil.

Não o bastasse, é considerado o mais hábil poeta brasileiro de versos livres, e é notória sua constante evolução. No início, desfilava sua verve sob vestes parnasiano-simbolistas, até a libertação, por assim dizer, das formas fixas.

Porém, o que sua trajetória versejante e versátil, ora medida ora desmedida, denota é, isso sim, seu inquestionável exemplo de opção por liberdade – de expressão!

No presente texto, o parágrafo inicial, entre aspas, cita estrofe da canção intitulada “Vambora” de Adriana Calcanhoto, na qual o último verso refere-se, por sua vez, ao título do livro de estreia de Manuel, “Cinza das Horas”.

Ai ai... viagens poético-musicais que o tempo inspirador e a inspiração atemporal nos proporcionam...
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