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MANIFESTO SEM RAZÃO

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14 de março de 2018
Por Valquíria Malagoli

“Este manifesto é sem razão... mas repleto de sentimento. Não por este opor-se àquele.

Apenas por não buscarmos ‘porquês’, muito embora lá e cá decerto topemos com os ditos-cujos. E disso sabemos. Disso ao menos.

Não entremos, no entanto, em embates com os mesmos. Nada de améns, tampouco sem choques gratuitos.

Choques só de abraços. Muitos. Ruidosos. Impregnados de sílabas soantes que, se por acaso acintes, tudo bem.

Nada de assentarmo-nos gravemente, impedidos por graves acentos. Versemos livres.

Jamais o intuito daquele seja o motivo para ess(e) e outro(s) entrarem em contenda. Antes, juntemo-nos em torno do fogo armado ao centro das tendas.

Espalhemos a fumaça – e de graça! - do incenso daquilo que penso... tu pensas... ele e ela pensam...

Aqui, objetivamos não o frágil consenso. Abaixo as ideias de forjado objetivo par. Abaixo os conformes!

Pretendemos benefício que tempo nenhum demova; o que mova e comova.
Pretendemos vida – o movimento! A comunhão desta pelo seu mais honesto viés – a liberdade para a discordância. A abertura ao profícuo debate.

Desejamos emoção. E a emoção do desejo!!!

Queremos o verme do beijo... a ânsia... a vontade incessante que devora flor e fruto.

Plantamos, desde este documento, o fomento de que razão qualquer alguma haverá de sobrepor-se às sensações plurais características do espontâneo pensar.

Tomaremos o sentido diverso para frente e verso. A avessa poesia.

Queremos o fora da forma.

Queremos o fora da caixa.

Queremos o dentro do dentro.

Nosso ponto de partida é o ‘por que?’ separado e sem acento!

Rasgaremos a entranha da dúvida. Chega de respostas que não correspondem à nossa vã perspectiva de pretensos poetas!

Damos desde agora as costas às respostas que corroem o brilho de ilusões recorrentes. Preferimos as que oxidam a superfície das pseudoverdades gravadas a ferro.

Não temos pressa. Insta-nos, por vir em nós impressa, a simples ousadia dessa nova perspectiva.

Fortalece-nos nossa teimosia. E, claro, o talento comum de sermos incomuns ou néscios.

Todos são bem-vindos.

Sabemos que ‘querer não é poder; é possível’.

Sabemos disso e de quase nada mais.

É pouco. Bastante pouco, aliás. Todavia, por ora, é o bastante. É o início.”.

Encontrei, dia desses, esse antigo manifesto. Tudo que me ocorre, hoje, é o que ele, àquela altura, propunha extinguir. Ocorre-me “porquê?”.

Quem seriam os “nós” em nome dos quais e por mim mesma eu falava???

Quem era eu tão fogosa de ingenuidades ideológicas, da qual nem mais me lembro e nem da referida “razão”. Quem seria a eu, que, porém, modéstia à parte, então vibrante e impetuosa, até que figurava simpática. Pelo menos... simpática à causa.

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa 

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