Jundiaqui
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Once upon a time

Jundiaqui
29 de julho de 2017
Por Valquíria Malagoli

“Eu queria ter/ Na ponta da língua/ Num dia assim/ Em que a alegria míngua/ Em que as coisas ocorrem como correm versos longos e brancos/ Zilhões de palavras/ Rimas vindo a mim/ Palavras-molhos-de-chaves/ Coa solução dos problemas/ Correndo barulhentas/ Gigantes emas/ Ruflando bravas/ Contraditórias/ Rabugentas / Contando estórias/ Contando estórias/ Contando estórias/ Pra boi dormir/ Pra eu morrer/ Só que de rir”.

De tempos em tempos, à semelhança do que ocorre com os significados das palavras, que se distanciam cada vez mais rapidamente de suas raízes... tudo muda! Assim a história faz-se. Escreve-se.

“Amor”, por exemplo, não é mais aquele “fogo que arde sem se ver”... Estamos no futuro dessas páginas.

Vivemos tempos visuais. Tempos de exigência de beleza e méritos outros que encham de fogo (no mais das vezes passageiro) os olhos.

Lamentável realidade.

Não obstante isso, o amor em si persiste. Reescrito.

Não é, no entanto, do amor e de sua amplitude que excede duas sílabas que viemos tratar aqui. Este de agora é um pequenino tratado.

Trataremos, isso sim, do próprio formato das palavras. Esse também, o jeito como as escrevemos, letra a letra vem mudando. Abreviadas das maneiras mais inusitadas, incríveis e por que não dizer? – divertidas! – elas ganham novas formas, marginal e supostamente, pois, reformadas.

Portanto, não radicalizemos jamais. Consideremos que nem toda mudança é para o mal. As podas estão aí para dizê-lo. Há cortes e há cortes.

Muitas das mudanças na escrita têm sua utilidade por tornarem práticos e cabíveis (no tocante ao tamanho) determinados termos em determinados espaços (de tempo inclusive). E isso significa que há, notoriamente, alterações de forma bem como de significados assaz significativos – para benefício da língua, e, por conseguinte, das emoções que, por sua vez, do linguajar se beneficiam.

Entretanto, não é ainda dessa mudança que viemos falar...

Falemos, enfim, após tantas palavras preliminares sobre esta palavrinha: “coração”.

Enquanto existir a palavra, este meu amado material de trabalho, será com ele – o coração – que escreverei, não por acaso, em tinta rubra.

Deixarei de lado purismos inócuos, senão sofrerei à toa.

E de sofrimento essa vida já tem um baita leque a oferecer.

Quero, ao contrário, rir juntinho dos meus netos, logo logo... quando me pedirem pra ler pra eles dormirem.

Quero encontrar lugar para sensibilidade e achar um modo de expressá-la, em poucas palavras.

Quero, durante a narração de uma saga inteirinha bastar-me a contento de modo a fazer bom uso do provavelmente menor número de palavras.
Porque decerto essas tais tão novíssimas quanto efêmeras palavras serão menores em sílabas, e estas cada vez com menos vogais do que o título de um dos meus poemas!!!

Quero aprender a administrar o tempo restante da breve leitura, e enchê-lo com abraços... beijos... beijos... beijos...

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa
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