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Passa-se o ponto

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6 de outubro de 2017
Por Valquíria Malagoli

– Bom dia! Eu vim pelo anúncio.

– Ah, sim. Por favor, só um minutinho, que eu vou chamar o patrão.

– Viu, mas, é ponto final?

– Como?

– O ponto... é final?

– Ah, isso aí é com o proprietário. Só um segundo.

– Não era um minutinho?

– Só um... o senhor aguarde um instante. Com licença.

– Bom dia! Pois não.

– Eu vim pelo ponto. Eu queria saber se ele é final.

– Para mim, há de ser. Para o senhor, melhor seria de início, não é?

– De início? Um ponto? Insólito!!

– Naturalmente. Inovar é para gente nova como o senhor. Eu cheguei num ponto...

– Final?

– Sim.

– Então, é esse que eu busco. Quanto quer por ele?

– Perdoe-me; não sei se entendi.

– O final. O ponto. Esse a que o senhor chegou.

– Perdoe-me mais uma vez, é que desde o início o senhor me fala em final.

– É que foi por isso que vim. Quero pôr uns pontos finais em algumas coisas, sabe. Quanto quer por esse?

– Esse, o final, não está à venda.

– Entendi. Está fazendo por valorizá-lo por sabê-lo objeto do meu desejo. Diga quanto quer.

– Infelizmente não é esse o fato. O fato é que o ponto que negocio é este em que nos encontramos, e não outro seja final, seja ponto e vírgula, sejam dois pontos.

– Dois pontos? Sinceramente, eu não levaria nem que os fizesse a preço de um. A vida é por demais subjetiva para gastar com explicações.

– Subjetivismos à parte, como eu dizia há pouco, é concreto o ponto em questão. É este, mais claramente, isto... bem isto aqui em que nos encontramos o que estou passando.

– Decerto não estou me fazendo claro.

– Decerto.

– O senhor tampouco, haja vista anunciar um ponto – que para o senhor é final. Ou seja, final é o ponto! Eu o quero. Quanto custa?

– Eu é que estou prestes a colocar um ponto final. Se o senhor o compra, será para o senhor um início. Estou errado?

– Não entremos nesse mérito. Certo ou errado o senhor, é seu ponto que quero, e por ser final é que o quero. Senão, haveremos de dividi-lo tendo eu pago pelo ponto inteiro, pois, meio ponto não há. Se vendê-lo a mim, é meu, caso contrário, terá de me pagar pelo uso da metade que lhe couber um aluguel.

– Longe de mim querer ser rude, senhor; acontece que estamos encerrando o expediente. Temos que fechar.

– E ponto???

Valquíria Malagoli é escritora e poetisa

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