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San Francisco Night

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25 de maio de 2018
“Francisco: Homem Santo e Santo Homem” leva arte e reflexão ao Sesc

José Arnaldo de Oliveira

Um espetáculo. Assim pode ser definido a leitura dramática mostrada em “Francisco: Homem Santo e Santo Homem”, onde um revolucionário personagem ocidental é reapresentado ao público por oito atores que passam por ambientes de capa-e-espada, de rituais religiosos, de contos de fada ou da filosofia existencial.

Apesar de figurinos nas roupas e sonoplastia que inclui elementos musicais em poucos momentos, a base da montagem é a voz dos atores e suas diferentes entonações, formando o que pode ser resumido como paisagens sonoras.

O texto, do dramaturgo jundiaiense Marcos César Duarte, explora “insights” de Jacques Le Goff, um dos mestres da chamada história das mentalidades. Dessa forma, a presença de temas atuais como a fraternidade, a ecologia ou a simplicidade são vistos por dentro da vida de um jovem do século 12 em meio à plena cultura medieval, mil anos depois do início da cristandade.

A releitura pelo grupo Performático Éos, criando as citadas paisagens sonoras com as vozes dos atores, ganha aqui e ali o reforço de um pequeno sino de missa ou de alguns apitos que marcam uma revoada de pássaros. Tudo com uma convicção tão intensa que o momento em que todos interpretam juntos a devolução da própria roupa para a família parecem mesmo prestes a ficarem nus. Mas o contraste é feito com a retirada dos figurinos “franciscanos” para entrarem as roupas de pessoas comuns, atuais, no praticamente único movimento corporal na leitura.

Na eterna disputa entre o ser e o ter o espetáculo afirma, entre diversas passagens, que não há fé sem o amor e a alegria do amor. O legado ainda revolucionário do mito do italiano Francisco de Assis, que renunciou a uma herança de riqueza para amar a solidariedade aos pobres e à natureza, segue como um mito popular no Brasil.

No grupo onde todos brilham estão os atores André Farias, Antunes Nasser, Joelma Marcolino, Luan Silva, Mariana Benatti, Marici Niciolli, Ricardo Duran e Ulisses Vertuan. Na direção, Carlos Pasqualin. Outro dos presentes, Mário Rebouças, é parceiro constante e coautor da peça em 2007.

Além da popularidade internacional, o mito ganha cores locais pelo aspecto do mítico amor fraterno entre Francisco e Clara – este, por coincidência, nome de um bairro referencial da Serra do Japi que é um dos símbolos das lutas e desafios ecológicos na cidade.

A montagem foi viabilizada pelo Sesc Jundiaí, sendo parte de um ciclo mensal dedicado à dramaturgia jundiaiense que já exibiu anteriormente outra releitura de peças do autor como “O Testemunho” e “Maria dos Pacotes”, envolvendo outro dos parceiros do dramaturgo que é o ator José Renato Forner (da Cia. Solo na cidade e do Club Noir na capital). E continua nos próximos meses.

Como espetáculo, foi uma oportunidade de lembrar que não se trata somente de uma leitura, mas uma leitura dramática. E essa definição realmente faz toda a diferença.

Foto: José Arnaldo de Oliveira

Esclarecimento: as fotos feitas pelo JundiAqui não podem ser publicadas, por conta do roubo da câmera usada por Edu Cerioni, vítima de bandidos fora das dependências do Sesc.
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