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Kekerê vai às ruas e reafirma seu papel cultural

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4 de fevereiro de 2018
Bloco atrai milhares de pessoas e mostra que Jundiaí ama o Carnaval





José Arnaldo de Oliveira 

Em cima de um grande trio elétrico, o Bloco Afro Kekerê teve momentos como a transformação no domingo (4) da esquina da rua da Abolição com a avenida União dos Ferroviários quase em uma praça sobre a antiga estrada do século XVII, que abrigava a chamada Barreira (dos portugueses).

Mas o que se ouviu foram principalmente ritmos de levada africana e marchinhas carnavalescas  além de clássicos da música brasileira – que milhares de participantes sabiam na ponta da língua, de Gilberto Gil a Marisa Monte, passando por Jorge Benjor, Ilê Ayê, Beto Guedes, Carlinhos Brown, Djavan...  Tudo com muita percussão, baixo marcante, guitarra e o vocal empolgado de Tom Nando, um dos criadores do bloco ao lado de B.A. e outros parceiros.



Como se não bastasse, a Corte do Carnaval eleita na noite anterior ali ao lado, em um lotado Complexo Fepasa com integrantes das escolas de samba que agora desfilam em dia único, também deu as caras no bloco antes de seguir para a 35ª Festa da Uva e 6ª Expo Vinho, onde iria receber a “chave” da cidade da Corte da Uva ao ritmo do grupo Amigos do Samba e da Unidos da Zona Leste.



Podiam ser vistos na multidão do Kekerê muitas pessoas de outros blocos como o Refogado do Sandi (que fez um grande esquenta na sexta-feira), o Ponte Torta (que também fez um grande esquenta no sábado) e o Continuamos na Nossa (que neste ano vai sair no Centro ao invés da Ponte São João).

Aliás, o Centro Histórico de Jundiahy será o “lar” neste ano de blocos em quase todos as tardes da festa - na sexta com Refogado, no sábado com Ponte Torta, no domingo com Loki e na segunda o Continuamos (e ainda o Super Poder Rosa, pela manhã), sem contar o temporão Órfãos do Fígado no dia 17, dentro da grande lista de blocos da cidade neste ano.

O Kekerê está dentro desse contexto. Surgido na Vila Rio Branco, parte da antiga região da Barreira e da estrada colonial, passou neste ano para o outro lado dos trilhos com referência no Sororoca, conhecido por seu circuito de skate do tipo “street” e já foi também e por muitos anos o centro de uma avenida de lazer aos domingos – muito antes da avenida Paulista na capital.

Essa avenida, surgida onde antes eram os trilhos da Sorocabana, tem um espaço que permitiu um trio elétrico que não caberia nas estreitas ruas do roteiro anterior - e mesmo assim atraiu muitos moradores da vizinhança.

Entre idosos ou famílias inteiras, predominavam naturalmente os jovens e adolescentes. Nestes últimos, uma tendência aparente é que os tradicionais beijos de carnaval eram muito definidos (para o sim ou para o não) pelas meninas – talvez um reflexo do atual empoderamento feminino em curso no mundo...

Um outro bloco, o já tradicional Chupa Que é De Uva, teve seu primeiro dia no sábado da véspera - mas neste ano não conta exatamente como carnaval de rua porque desta vez aconteceu dentro de um clube.

Para não esquecer a imagem, vale registrar que um longo trem de carga passou pelos trilhos ao lado da avenida durante a parte inicial do desfile do Kekerê.  No meio da animação rítmica, que durou aproximadamente entre 17h e as 21h, é preciso destacar também a adaptação de canções inesperadas como “a paz, invadiu o meu coração” (Gil) ou “vamos precisar de todo mundo, pra banir do mundo a opressão” (Guedes), entre outras. Até roqueiros autorais da cidade vibravam, ao lado de sambistas ou funkeiros. No final, uma batucada digna de samba enredo encerrou o baile ao ar livre.

Muito mais do que apenas diversão, o carnaval de rua de Jundiaí volta a mostrar que a cultura popular é essencial – mesmo em tempos de crise. É parte da vida da nossa cidade, como a uva e o vinho.

Esse foi o Kekerê, fazendo jus ao seu lema deste ano – a paz celebrando a vida. Que a boa energia desse trabalho de muitos meses se espalhe pelo carnaval de rua desta antiga e nova Jundiahy.

Fotos: Edu Cerioni

 

 
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