Jundiaqui

Jundiá Filmes marcou época nos anos 50

Jundiaqui
18 de junho de 2021
Celso de Paula resgata história da companhia que tinha a fotografia de Élio Cocheo

JUNDIÁ FILMES

Nos anos 1950, a cidade viveu uma experiência incomum de filmagens e astros. Foi nesse furor que surgiu a Companhia Jundiá Filmes, liderada pelo jornalista e cineasta Innocêncio Mazzuia e pelo empresário Américo Mean, com a proposta inicial de produzir documentários para serem exibidos nos cinemas da cidade. Mas em 1957 a Jundiá resolveu ir mais longe, realizando o filme que se intitularia "O Justiceiro", baseado em história escrita por Mazzuia.

Para a concretização desta ideia, ela contou com o apoio de empresas como a Cica e as Indústrias Andrade Latorre, podendo, com isto, contratar alguns atores de renome nacional para a película, que no mesmo ano foi rebatizada para "Nas Garras do Destino".

Estrelado por Luigi Picchi, Aurora Duarte, Carlos Zara, Léo Avelar e Norma Monteiro, o filme contou com direção artística de Carlos Jayme Coimbra, que já havia dirigido "Armas da Vingança" (ganhador do Prêmio Sacy em 1953) e "Dioguinho"; a fotografia ficou por conta de Élio Cocheo (vindo das câmeras da Cineccitá italiana para a Companhia Vera Cruz em 1949) e a música com Enrico Simonetti.

Também foram convocados vários atores jundiaienses para testes, sendo, a final, selecionados Reynaldo Bedin, José de Carvalho Júnior (Lima), Hugo Malagoli, Heitor Paulo Ranzini, Onésio Briganti, Francisco Xavier Negrão de Barros, Sebastião Paulo Penteado e Luiz B. Garcia para os papéis secundários.

O argumento de Innocêncio Mazzuia, adaptado e desenvolvido por José Júlio Wielback, contava a história de um vilarejo do interior que agitado pela festa do padroeiro, vive uma tragédia com o assassinato do filho do coronel mais importante da região. Aparentemente o autor do crime seria um ex-rival político do coronel e ele teve que ser transferido para Jundiaí, onde estaria salvo de ser linchado pela população.

As locações foram feitas no II Grupo de Obuses (depois, 12º G.A.C.), nas fazendas Eliza e Conceição e no Bairro do Bonfim, em Cabreúva. As últimas cenas foram filmadas na Vila Rami, que ainda contava com grandes áreas desocupadas. Em 1958 sua conclusão era saudada como a primeira superprodução jundiaiense.

Em 1959, a fita foi lançada com o título "Crepúsculo de Ódios", ocorrendo a estreia em uma sessão de gala no Cine Ipiranga, com renda em benefício das entidades assistenciais. Na ocasião do lançamento, uma companhia de São Paulo teria apresentado proposta para distribuir o filme com exclusividade em todo o território nacional, mediante, inclusive, um bom adiantamento financeiro à Jundiá Filmes, porém a mesma foi recusada pelos acionistas. A distribuição no Rio foi feita pelo Circuito Plazza.

Uma nota trágica ligada a essa produção foi a morte da atriz Norma Monteiro, aos 25 anos, que atirou-se do Viaduto do Chá, em São Paulo, alguns dias antes da estreia.

No alto, Cocheo em foto de Nilson Cologni-Reprodução Facebook

Você vai
gostar de

Escola de Negócios da ACE vai atender 15 mil alunos só este ano

Comerciantes e empresários dos serviços prestigiam apresentação do novo projeto educacional da associação

Morre técnico que levou Paulista ao acesso em 1984

Nicanor de Carvalho dirigiu time que colocou Jundiaí novamente na Primeira Divisão Estadual

Direito e Justiça na Campanha da Fraternidade

Missa de Cinzas abre Quaresma na Catedral Nossa Senhora do Desterro

Pela manhã

Por Renata Iacovino
Artigos assinados não representam a opinião do site. Esse conteúdo é de responsabilidade exclusiva de seu autor.