Jundiaqui
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50 anos

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8 de setembro de 2017
Guaraci Alvarenga

Na década de 60 a vida noturna do centro histórico fervilhava em gente bonita e elegante. Muitos de nós vivemos as nossas melhores madrugadas de brilho, de luzes e de uma animada agitação.

Quem não se lembra do “point” na Paulicéia, onde vicejava a juventude saudável, na paquera das lindas donzelas? Os dois grandes cinemas, o Marabá na rua do Rosário e o Ipiranga na rua Barão, pontos de encontros obrigatórios nos embalos de sábados. As agitadas brincadeiras dançantes no Clube Jundiaiense e no Grêmio da Rangel. A saída da missa matinal aos domingos. Ah!, quanta beleza reunida...

Os aconchegantes bares e restaurantes... A “caipirinha” do Redondo, os salgadinhos do Dadá, a batida de coco e o “croquetinho” servidos no balcão do Haiti de Don Schiavi; o filé com fritas da Cantina Jundiaiense.

O jovem Saveiro com suas cortinas vermelhas, combinando com o Campari “on the rocks”, a bebida da moda. O Urso Branco do tradicional creme de aspargos. O bar do Lula com seu incomparável sanduíche de pernil. A inesquecível Choperia Cristal. Seus jantares á luz de velas, com música ao vivo e presença de famosos cantores da época.

Sim, o centro histórico pulsava o coração palpitante da cidade. Aos poucos foi perdendo seu glamour. Cines e bares que esquentavam as noites se despediram, deixando só saudade.

A noite perdeu a luz de seu encanto. O tempo lhe foi ingrato. Só não foi para um endereço na rua Bernardino de Campos, 142. O Mirim Dog, que festeja aniversário de 50 anos.

Quem chega ao diminuto espaço logo se depara com o aviso “não aceitamos cartões”. São poucas mesinhas, ainda com suas cadeiras de plástico. A antiga decoração de decalques americanos (novidade na época) em suas paredes já não existe mais, mas os comes continuam agradando no mesmo tanto.

O casal Iraci e o saudoso Otávio contemplou a cidade com um dos mais tradicionais “points” de encontros. Com o balcão aberto, jovens em busca de amizade, namoro e lazer, motociclistas reunidos nas tardes domingos, casais enamorados e uma lista de célebres e apetitosos sandubas tornaram a casa num dos locais mais badalados.

O Mirim Dog é um cinquentão e continua com o mesmo empenho e preserva o sucesso da lista de lanches, entre eles o “bauru” de carne, a causar inveja aos grandes chefs de hamburgueria.

Meio século de existência. Registra seu nome, com tinta avivada, na pagina do livro da história do centro histórico da cidade.

Lá conheci Miriam e somos felizes. Quero comigo, bem perto de mim, o outrora destas doces lembranças. Elas ressuscitam o encanto dos primeiros momentos, quando eu mais ansiava por ser feliz. Vida longa. Parabéns!

Nota da Redação: na foto do alto, Rosely Akstein saboreia seu lanche no Mirim Dog, durante o feriado de 7 de setembro. Reprodução facebook.

Guaraci Alvarenga é advogado

 

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